Morreu Aretha Franklin, a rainha do soul norte-americano

Aretha Franklin estava a lutar contra um cancro, há vários anos. A rainha do soul acabou por falecer aos 76 anos, em Detroit, EUA.

É o fim de um reinado magistral, com 33 álbuns publicados e mais de 75 milhões de vendas. É a mulher que mais discos em vinil vendeu de todos os tempos. É e continuará a ser um ícone da música, mas também um pilar do feminismo afro-americano contemporâneo.

Aretha Franklin nasceu em 25 de março de 1942 em Memphis, Tennessee. Tem três irmãs e dois irmãos. Passou a maior parte da sua vida em Detroit, Michigan. Clarence LaVaughn Franklin, o pai, era um pastor baptista e ativista dos direitos civis. As irmãs seguiram desde muito cedo o exemplo da mãe, Barbara, cantora gospel. Erma (falecida em 2002), Carolyn (morreu em 1988) e Aretha cantaram no coro do pai em Detroit.

O talento de Aretha Franklin foi descoberto por John H. Hammond, produtor experiente, que descobriu também Billie Holiday, Big Bill Broonzy, Pete Seeger, Bob Dylan e Bruce Springsteen. Convencido de que Aretha era um diamante bruto, assinou a jovem na Columbia Records em 1956.

O ativismo

Aretha Franklin é um modelo de sucesso para muitas mulheres e continuará a ser um ícone afro-americano. Vencedora de 18 Grammys também foi a primeira mulher a juntar-se ao Hall da Fama do Rock and Roll. Na sua voz, Aretha sempre teve um compromisso e um tom de revolta. Já em 1967, a sua versão de “Respect” de Otis Redding era absolutamente feminista.

Contudo, o seu compromisso também era a favor da igualdade racial. Em 9 de abril de 1968, cantou no funeral de Martin Luther King. Em junho de 1968, foi uma das primeiras mulheres negras como capa da prestigiosa revista Time.

O impacto cultural da sua música é inegável. Com a força das suas cordas vocais, Aretha Franklin incorpora dois dos maiores movimentos políticos e culturais do seu tempo: os direitos civis e da luta pela igualdade de género. Ao longo da sua carreira, ela democratiza o RnB sem sacrificar a sua identidade, o que demonstra que a música pode ter um impacto cultural muito além do mundo musical.

Uma vida tortuosa

Ao longo da sua vida, Aretha foi travando algumas batalhas contra vários vícios. “Parei de fumar em 1991. Isso ajudou muito a minha voz”, disse em março de 1998, na Time. A cantora fumava até três maços de cigarros por dia. Até o final dos anos 1970, a estrela também teve problemas com o álcool, em que se refugiou para escapar dos seus casamentos instáveis. Em maio de 1967, caiu do palco e partiu o braço durante um show em Columbus, Georgia. Segundo o seu ex-empresário Ruth Bowen, esse incidente estava relacionado ao álcool. Aretha conseguiu livrar-se do vício mas continuou a lutar contra a obesidade.

Aretha Franklin foi diagnosticada com cancro do pâncreas em 2010, um mal já conhecido da família Franklin. A irmã Carolyn morreu de cancro da mama em 1988. Cecil, o seu irmão, que também era seu empresário, sucumbiu ao cancro do pulmão em 1989 e a irmã mais velha, Erma, morreu de cancro de garganta em 2002.

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