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CFKappa lança Long Play de “Ano Lectivo 2019”

Por norma CFKappa dá as boas vindas ao novo ano com o já tradicional Ano Lectivo, mas desta vez foi diferente. O rapper presenteou-nos mais cedo com um long play, no dia de Natal.

O novo trabalho de CFKappa, que cada vez mais ganha destaque como empreendedor estando à frente de uma das maiores lojas de venda a retalho de Angola – Soba – e da loja de venda de música online – Soba E-Music – é um fio condutor dos seus projetos anteriores.

A última mixtape de CFKappa saiu em 2017, com o título Real, e no início de 2018 voltou a lançar dois singles, “Diurno & Nocturno”, a comemorar o início do ano lectivo de 2018.

Desta vez, abre uma nova temporada com um LP de oito faixas, que já está disponível na SOBA E-Music. Kennedy Ribeiro, companheiro antigo do Soba Cláudio, volta a estar presente neste projecto, que também inclui Xuxu Bower dos Moobers, a brasileira Srta Paola e a norte-americana da Breana Marin.

Apesar de ainda não termos ouvido este Ano Lectivo 2019 as vezes suficientes, conseguimos ver o mesmo CFKappa de Um Em Um Milhão, com mais nove anos e bem mais experiente, mas que continua a ser considerado new school pela maioria da elite do rap angolano.

Falámos com CFKappa sobre como tem gerido o seu tempo, considerando o facto de ainda ter tempo para ter criatividade musical quando se tem focado tanto no empreendedorismo.

“A minha actual situação leva-me a experimentar novas coisas e ter mais prudência sobre aquilo que mando para fora. Tudo o que eu digo é cada vez mais acompanhado e sinto uma certa responsabilidade em continuar a apresentar um certo critério de qualidade. O empreendedorismo não me limita a criatividade, aliás, muito pelo contrário. Cada vez mais tenho conseguido aliar a minha arte à minha vida profissional de escritório e as outras cenas. Só tenho é menos tempo que antes para lançar qualquer coisa deliberadamente, só porque me apetece.”

Está periodicidade faz parte do plano ou o empreendedorismo do Claudio Kiala está a ocupar cada vez mais o espaço do rapper CFKappa?

Este ano foi um ano importante em vários aspectos da minha vida. Foi inclusive um ano de extremo crescimento. Foi um ano em que aprendi que cada artista está a correr a sua própria maratona, e com isso aprendi que eu não precisava estar preocupado ou me sentir pressionado pelo facto de os outros manos estarem a lançar trabalhos e a verem o sucesso imediatamente. É o momento deles, que se calhar dura para sempre, mas que independentemente disso, não era o meu momento. Foquei-me em criar, sem pressão. O DH sabe quantas vezes fui ao estúdio criar e saí com uma música nova, o Kennedy também. Eu acho que estou a me permitir seguir um rumo natural do meu processo de crescimento como artista e o empreendedorismo tem sido mais ajuda do que exactamente um obstáculo que me impede de criar. Não ter músicas lançadas durante esse tempo não foi exactamente parte do plano, mas criei durante esse tempo todo. Não estive parado, e posso confessar que tenho material muito bom ainda a ser devidamente lapidado.

Como é o teu processo criativo, agora que estás envolvido em todos estes projetos fora da música?

O meu processo criativo é interessantemente aleatório, e vou desenvolvendo novas técnicas. Antes era mais louco: Não conseguia criar no estúdio, por exemplo, mas em compensação, às vezes batia uma inspiração no meio de qualquer coisa, tanto que já tive várias letras que começaram a ser escritas por trás de uma factura de supermercado ou guardanapo num restaurante. Hoje flui e vou me treinando a absorver métodos alternativos. Durante a correria dos meus dias laborais, por exemplo, consigo criar no banco de trás enquanto sou conduzido à uma reunião, consigo escrever no estúdio e gravar no mesmo dia, entre outras formas alternativas que antes não me eram possíveis.

Como vês a geração do rap que sucedeu à tua que é neste momento das mais ouvidas no mercado angolano? E achas que a continuidade do rap está bem entregue?

O rap sempre se permitiu obedecer a um percurso bem natural e seguiu sempre em frente com quem se mostrou disponível, independentemente da idade ou vertente. Não será diferente agora. Não me sinto no direito de estar confortável ou não com quem vai seguir em frente com o rap se eu não estiver a produzir conteúdo. Eu acho que tanto os Mobbers como a TRX têm feito um excelente trabalho naquilo que é a interacção e ligação com o seu público-alvo. Eles foram bem sucedidos em dominar a Internet e transitar para o físico. As enchentes dos lugares onde passam, comprova isso. Acho que existem sempre lições a tirar deles, e uma delas é a relação deles com o seu público. Eu continuarei a me reinventar e garantir que a continuidade que eu gostaria de ver no rap, não precise ser, por enquanto entregue em formas de expectativas à outras pessoas. Eles são humanos e têm as suas próprias visões sobre o movimento. Porém, estou feliz com as conquistas deles. É uma afirmação necessária.

 

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