Olinda Beja nasceu na capital do distrito de Lobata, Guadalupe, uma das pequenas cidades de São Tomé e Príncipe, com apenas 1081 habitantes (dados de 2008), onde se pode ver o peixe acabado de sair do mar a ser cozinhado na rua.

Os ares de São Tomé encantam a escritora e narradora que, sempre que pode, passa uma temporada na vila histórica de Batepá, de onde é natural a sua família materna e de onde vem a inspiração. Escreve da terra da puita, da sangazuza e do chocolate, escreve sobre a “Téla Nón” (Nossa Terra, em dialécto de São Tomé).

Para além dos contos, romances e poesias, Olinda dá aulas. É professora de Língua e Cultura Portuguesa na Suíça onde através da Universidade de Friburgo tem dado a conhecer, a alunos e professores, o estado insular localizado no Golfo da Guiné.

Tem 14 obras publicadas no domínio do romance, poesia, conto e nelas a autora expressa a beleza, as gentes, a História e o amor que a liga à terra onde nasceu e que tem”cantado” pelos quatro cantos do mundo. Tem poemas traduzidos em várias línguas e o seu livro “O Cruzeiro do Sul” (poemas) foi editado em português e espanhol.

Algumas das suas obras foram adotadas para leitura em escolas de Luxemburgo, Alemanha e Suíça. Neste momento, e entre 502 candidatos, a escritora foi nomeada, no Brasil, para o grande prémio P.T. Literatura 2012 com a sua obra “Histórias da Gravana”. Em 2013, Olinda Beja venceu ainda o maior prémio literário de São Tomé e Príncipe, o Francisco José Tenreiro, pela obra “A Sombra do Ocá”.

No mês passado, Olinda Beja publicou mais uma obra, desta vez, um livro de contos para as crianças de São Tomé e Príncipe, Simão Balalão, uma criança que vive numa ilha e tem o sonho de partir em busca de novos horizontes.

Olinda Beja - Simão Balalão
Olinda Beja – Simão Balalão

O livro acaba por ser uma lição de vida, dada pela mãe da criança, que tem nela todos os sonhos do mundo e não só. No livro percebe que os conselhos que a mãe dá são importantes nas escolhas que quer fazer na vida. E aí descobre como se diz em São Tomé, “telá nón sa telá nón” (“a nossa terra é a nossa terra”), como podes ler acima.

Simão Balalão, é mais do que se lê, para além dos sonhos, conquistas e aprendizagens, a obra de Olinda Beja é uma fotografia perfeita da sociedade são-tomense atual, mas que se pode replicar a tantas outras. Na narrativa infantil são descortinadas questões pertinentes como as ambientais, as sociais, ou ainda a preocupação com os mais velhos – valores intemporais em qualquer sociedade.

O livro, que tem a assinatura da Editorial Novembro, foi lançado recentemente e apresenta uma imagem verdadeiramente atrativa para os mais pequenos.

As cores que fazem fluir toda a viagem, o design colorido, e a escrita pelas mãos de Olinda Beja, faz com que as crianças e adultos façam parte da histórias deste pequeno sonhador são-tomense.