Por norma, as maiores invenções da história são criadas para colmatar uma necessidade de algo. E foi isso mesmo que levou Roy Allela a criar a Sign-IO – luvas inteligentes que traduzem linguagem gestual para áudio – uma forma de comunicar com a sua sobrinha.

Com seis anos, para a sobrinha de Roy comunicar de forma a que a entendam não é tarefa fácil, a menina nasceu surda, e ninguém estava preparado para lidar com esta nova realidade. Nenhum dos seus familiares sabe comunicar através de linguagem gestual e a necessidade para que se pudessem compreender tornou-se urgente e, Roy, de 25 anos, criou o Sign-IO para que aproximasse a família da sobrinha.

Roy é engenheiro de software e programador e os seus estudos e experiências não só vão ajudar sua sobrinha como poderá ajudar qualquer pessoa com algum tipo de deficiência comunicativa, de fala ou audição. A luva (Sign-IO) possui sensores flexíveis que são colocados em cada dedo, esses sensores têm a capacidade de quantificar a dobra do dedo e processar o que é dito em linguagem gestual.

Para saber a sua eficácia, as luvas foram primeiro testadas numa escola de necessidades especiais em Migori, província de Nyanza, no sudoeste do Quénia. E aí se verificou que a mesmas são capazes de reconhecer as letras e palavras, e enviam a informação para uma aplicação (por enquanto apenas para Android) que então vocaliza em tempo real o que foi dito.

Mais de 30 milhões de crianças no mundo dependem da linguagem gestual para se comunicarem.

As luvas e a aplicação, também desenvolvida por Alella, conectam-se através de Bluetooth, que então converte rapidamente o sinal em áudio. “A minha sobrinha usa as luvas, conecta o telefone dela ao meu, depois começa a ‘falar’ e eu entendo o que ela está dizer”, afirmou Roy.

Sign-IO / FOTO: Roy Allela
Sign-IO / FOTO: Roy Allela

Segundo Allela, a velocidade da vocalização dos sinais é um dos aspetos mais importantes das luvas inteligentes. “As pessoas falam em diferentes velocidades e é a mesma com que as pessoas escrevem, alguns são realmente rápidas, outras são mais lentas. E a partir daí moldamos a aplicação em torno de todas as pessoas que o possam utilizar tornando confortável e fácil o seu desempenho.”

Na aplicação os utilizadores podem definir o idioma, o género e o tom da voz do áudio, com resultados de precisão de 93%. A inovação da Allela ganhou o prémio Hardware Trailblazer da Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos (ASME), durante a competição ASME Innovation Showcase (ISHOW) em 2017.

Desde então o jovem engenheiro usa o dinheiro ganho para estudar e melhorar o Sign-IO. Roy Allela está entre os 16 jovens africanos selecionados para receber o “Prémio da Academia Real de Engenharia de África”, para inventores de seis países que vão receber financiamento, treinamento e orientação para projetos destinados a revolucionar setores da agricultura e da ciência à saúde da mulher.

Para além disso, Roy, desenvolveu recentemente dois estilos diferentes de luvas: uma de Princesa e outra de Homem-Aranha, para ajudar a combater o estigma associado a surdez e aos problemas de fala. “Se as luvas parecerem boas, todas as crianças vão querer saber por que as usam”, conclui.