O Ruanda está na linha da frente do desenvolvimento tecnológico e acaba de dar mais um passo nesse campo. O país lançou um satélite, o Icyerekezo, que tem como objetivo conectar escolas rurais à Internet.

No Ruanda ainda não existem infraestruturas terrestres suficientes para conectar todos via Internet, e o Icyerekezo permite um alcance maior de conectividade, mas que numa fase inicial só irá abranger os alunos da Ilha Nkombo, no Lago Kivu. Contudo, espera-se que brevemente o país consiga conectar todas as áreas rurais à Internet.

Icyerekezo foi lançado no final de fevereiro de 2019, na Guiana Francesa, pela empresa britânica OneWeb em parceria com o governo ruandês. O satélite foi lançado para “colmatar o fosso digital” nas escolas rurais do Ruanda, onde o acesso à Internet é inexistente.

A OneWeb é uma empresa de comunicação global que procura “oferecer conectividade para todos, em qualquer lugar, através de uma constelação global de satélites”. Greg Wyler, fundador da empresa disse num comunicado que “conectar escolas remotas para colmatar o fosso digital que ainda afeta metade da população mundial está no coração da visão da OneWeb. Estamos muito satisfeitos em criar uma parceria com o Governo de Ruanda e particularmente com os estudantes de Nkombo. A conectividade que podemos fornecer permitirá realizar os seus sonhos e permitir que Ruanda se torne num centro de inovação tecnológica.”

O governo ruandês tem por hábito recorrer ao uso da tecnologia para resolver os seus desafios sociais, tendo-se tornado no primeiro do mundo a usar drones para transportar sangue para clínicas remotas.

Desta feita, o lançamento do Icyerekezo tem impactos muito mais abrangentes do que apenas o acesso à Internet. O ministro da Educação, Eugene Mutimura, afirmou que “conectar as escolas é um aspeto fundamental e impulsionador da aprendizagem transformadora. O plano do director de TIC (Tecnologias da Informação e da Comunciação) do Ruanda na Educação delineia ambições de intervenções para ligar escolas e capacitar crianças ruandesas com imensas oportunidades, nomeadamente investigação, apoio à aprendizagem baseada em competências, facilidade de acesso e partilha de conteúdos digitais, sistemas de apoio para monitorizar e avaliar processos entre outros.”

O uso da fibra ótica teria sido uma opção mais cara e ineficiente para o país. Para Paul Ingabire, ministro de TIC e Inovação do Ruanda “a opção de Ruanda investir em tecnologias espaciais faz parte da nossa missão mais ampla de reduzir a exclusão digital, proporcionando oportunidades digitais iguais às comunidades rurais e remotas. Esta parceria responde à nossa intenção de nos tornarmos um centro regional de inovação tecnológica, abrindo novos caminhos para conectividade, proporcionando melhor educação e criando novas oportunidades para os nossos inovadores”

A OneWeb, uma das empresas que participou no projeto, desenvolve também parcerias com outros países africanos, como a Serra Leoa, para que mais escolas tenham acesso à Internet.