A Orquestra Tout-Puissant Poly-Rythmo de Cotonou [TP] tem quase 60 anos de existência e aproximadamente mil músicas na sua discografia. Na sua sonoridade ouvimos o funk, soul e afrobeat com ritmos de vodu do Benin.

No seu repertório, os TP já tocaram com as maiores estrelas africanas como, Manu Dibango, Fela kuti, Miriam Makeba, entre outros grandes do panorama musical africano. Contudo, até 2007, as atuações da Orquestra ficaram-se sempre pelo continente berço. Em 47 anos, os TP passaram pelos maiores palcos africanos.

Seis anos depois da independência do Benin, 1960, surgiu o grupo musical Orchestre Poly-Disco, posteriormente baptizada como Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou. O primeiro álbum sob essa nova designação foi editado em 1974, o lendário Le Sato. Desde aí e ao longo das últimas décadas – com muitas mudanças de formação e alguns hiatos de carreira – a Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou foi crescendo nas bocas do mundo como uma das mais fascinantes, originais e prolíficas bandas de música africana de sempre, mercê de uma discografia que ultrapassa mais de 150 títulos (entre LPs, singles, EPs, cassetes e CDs) e – aqui fica a chave de muito do que se escreveu para trás – como um dos exemplos mais perfeitos de misturas de inúmeros géneros musicais (highlife, afrobeat, soukous/rumba congolesa, soul, jazz, disco-sound, música latino-americana, a yé-yé francesa dos sixties, isto é Dalida ou Françoise Hardy, etc.) que incorporaram num som único e inesquecível. Tão antiga quanto os Rolling The Stones, a banda Tout-Puissant Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou é um grupo que desde a sua fundação toca todos os estilos musicais, daí o nome poly-rythmo.

A ASCENSÃO PELO MUNDO

Entretanto, com 42 anos de existência e pelo menos 500 discos gravados, a banda parecia ter desaparecido ou caído no esquecimento.

Em 2007, cruza-m-se com Elodie Maillot, jornalista francesa, que ainda  em Paris, tem contacto com uma das raras reedições de álbum do grupo. A sonoridade dos TP encantou a jornalista, e esta resolveu ir até Cotonou para entrevistar a banda poli rítmica mais poderosa daquele país.

Depois de várias tentativas falhadas, Elodie Maillot tenta uma última vez estabelecer contato com a banda, que entretanto ia atuar nas festas de independência do país.

Depois da entrevista, os membros do conjunto tinham um pedido caricato para a repórter: “serás a nossa empresária e vais levar-nos em digressão para fora de África”. Até então o grupo, apesar do seu grande sucesso, nunca tinha saído do continente.

Acontecia assim em 2009 a primeira digressão da banda pelo mundo, com atuações em grandes palcos como Villette Jazz Festival em Paris, Barbican em Londres, Paradiso em Amsterdão, entre outros. alguns dos seus trabalhos foram editados por selos de prestígio como Analog Africa e festivais de todo o mundo os requisitaram, como Printemps de Bourges, Primavera Sound Barcelona, ​​Festival Internacional de Jazz de Montreal, etc.

Em 2011 foi o lançamento do último álbum registado, depois de 25 anos de   silencio. Com regravações de antigos hits e novas composições, o álbum perpetua a receita mágica do grupo com o seu groove funk, soul e afro-beat. O disco conta também com a participação da grande diva do continente africano, e sua conterrânea,  a Angélique Kidjo, e da jovem esperança da World Music, a cantora maliana Fatoumata Diawara.