Júnior Boy é do Zaire, província angolana, tem 21 anos e está focado em conseguir fazer parte da indústria musical do seu país e Portugal. Há já alguns anos, Júnior começou por interessar-se pelo kuduro, que naquela altura era o que mais se ouvia tanto nas ruas, como nas festas ou espaços públicos em Angola, mas foi o rap que o fez dar os primeiros passos. 

Apesar de, até então, nunca ter tido coragem para agarrar num microfone e provar o seu talento, em 2011, um amigo acabou por instalar alguns programas de gravação de música, e isso instigou-o a pegar no microfone e cuspir umas barras. “Sendo curioso como sou, fui tentar saber mais sobre a cena, fiz algumas gravações e curti do que ouvi. Não era grande coisa, mas deu origem a isto tudo.”

Do home studio improvisado em casa, em pouco tempo, Júnior passou a frequentar um estúdio profissional com os amigos. 

Perguntado sobre as suas influências, o artista explica que nunca gostou muito de rap. “Até que um dos meus irmãos mais velhos mostrou-me uma mixtape, Cúmulo, do Vui Monsta, e o feeling que ele punha nas letras, a maneira como ele cantava na altura, chamou-me muito a atenção e comecei a tentar fazer o mesmo até me descobrir”.

Nas suas playlists, as preferências são Dji Tafinha, com quem se identifica, “pelo método de trabalho, a independência e por não esperar muito dos outros”. Do lado internacional, “tenho várias, no Brasil tenho o ProJota e o San Joe. Em Portugal tenho o meu grande brother Tóy Tóy T-Rex da Máfia 73, Plutonio, Phoenix RDC, entre outros”.

Actualmente vive na cidade do Porto, no norte de Portugal, mas não esqueceu o que aprendeu em Angola nas várias sessões de estúdio com os amigos.

Em 2012 passou a gravar sozinho e o resultado são uma mixtape e vários singles soltos e, este ano, vai lançar o seu primeiro EP.

Fazendo parte da nova escola de rappers angolanos, Junior já tem um momento memorável registado na sua biografia: Partilhou o palco com a Força Suprema, num concerto na cidade do Soyo, na província angolana do Zaire.

Sobre o seu público alvo, Júnior visa tanto o angolano como o português. “O angolano porque é o meu povo e o português, que é mais fácil conquistar, porque Portugal é onde vivo e tenho maior noção do game”, explicou Junior Boy à BANTUMEN .

O seu último trabalho é “Young Winner”, que já tem videoclipe, gravado no Porto. “É a minha música motivacional. A história é um jovem que largou tudo na sua banda e que começou do zero num outro país. Young Winner por acreditar em mim e ter fé nos meus sonhos e não me deixar desmotivar pelo que os outros dizem ou pensam sobre mim. E também por saber que tudo o que eu passei e passo até agora vai resultar num futuro brilhante.”

O trabalho saiu através da label TW Entertainment, que tem dando o empurrão para Júnior continuar focado na sua carreira. 

“Para os próximos seis meses, o meu plano é lançar um EP que já está quase concluído e soltar os videoclipes das faixas do mesmo”.