Os SSP, um dos grupos pioneiros e principal referência do hip hop em Angola, realizaram no último dia 4, na Baía de Luanda, o show SSP 28 anos, em celebração à carreira do grupo e aos 17 anos de paz em Angola.

O show, que foi suportado musicalmente pela banda Mozangola e a coreografia do grupo de B Boys Estilo Urbano e Hellie Groove, teve início às 21h30 com a apresentação do eterno parceiro dos SSP Afonso Quintas e da apresentadora de televisão Dalila Prata, antecedido por um período de “aquecimento” com O’mix. O DJ viajou dos clássicos do rap angolano e internacional aos sucesso dos dias de hoje.

Vestidos de branco, a cor que simboliza a paz, os meninos de ouro como também são tratados entraram em palco ao som da música os “Reis da Noite”, a faixa número nove do álbum Odisseia, de 1998. Em seguida, ouviu-se “Luta Pelo teu amor”, “E tu Mwangola” e “Punidores da Fofoca”. Esta última teve a participação de outros pioneiros da história do rap em Angola, como Kool Klever e Gansta Du em representação dos GC Unity, (Phathar Mak e Prince Wadada foram os ausentes por se encontrarem fora do país). A atuação escreve com letras douradas mais um capítulo da história de hip hop angolano, pois foi a primeira vez que os SSP e os rivais GC Unity estiveram juntos em palco, um sinónimo de paz e harmonia e uma fotografia para a posteridade.

Na sequência, Jeff Brown, num curto freestyle, homenageou o kuduro e os seus criadores, seguiram-se os temas: “Eu te confesso, “Te Quiero”, “Amor Eterno”, “Amar sem ser amado”, “Tem Cuidado”, “Miúda” e o tema “Sempre que o Amor me Quiser”, música que Jeff Brown dedicou a todos os cantores que já não fazem parte do mundo dos vivos, com especial referência ao produtor Ramiro Martins, falecido esposo da cantora portuguesa e autora de música Lena D’Água, que perdeu a vida vitima de cancro. A interpretação do coro desta música foi feito pela carismática Ary, que visivelmente emocionada não conseguiu conter as lágrimas de alegria pela realização do sonho de subir ao palco e cantar com os SSP.

“Quem é que me faz Feliz” e “Abandalho” fecharam a primeira parte do show, dando espaço a outro grande nome do rap cantado em português cujo destino foi generoso em tê-lo feito nascer em território angolano, Gutto. Um nome que dispensa apresentação pelo brilhante êxito nos Black Company e na No Stress. Gutto animou o público com vários temas, entre eles: “Ser Negro”, “Gina”, “Lena”, “Debaixo dos lençóis” e “Dinheiro”.

Desta vez, vestindo o clássico fato olímpico e ténis da adidas de cor preta que os RUN DMC tornaram numa moda da cultura hip hop, os SSP voltaram a entrar em palco interpretando a música que em ocasiões anteriores serviu como tema de abertura de shows, “Não vale a Pena”, música com a participação do puto Chico, hoje conhecido por Fabious AKA Biura, rapper que aproveitou para mandar algumas barras face às últimas polémicas na Internet. “Não me chateio com bifes da net eu sou o R da palavra Rap, dropou.

Tal como todos os outros temas, “Olhos Café” e “Playa” levaram o público ao delírio, mas maior emoção deu-se com a entrada de Pérola em palco com a brilhante interpretação do tema Dime. Seguiram-se os temas “Eu só Quero te Amar”, “Amiga”, e “Everywoman Need a Man” com Heavy C, a interpretar o verso de Boss AC, na sequência, “Sim” ou Não” e “Chama por Mim”, antecederam a música “Táctica Lírica”, tema de difícil interpretação pela velocidade e métrica e que surpreendeu pela positiva pelo saudável duelo de versos entre Big Nelo e Jeff Brown.

Caminhando já para o fim do espectáculo, Yuri da Cunha subiu ao palco e participou na interpretação do tema canta comigo “Essa Keta”, seguiu-se Jay Lorenzo que também esteve a dar suporte no coro ao longo do espectáculo, a fazer uma oração de introdução ao tema “Deus”, o último tema da noite, música que para a felicidade dos fãs trouxe Bruna Tatiana de volta a partilhar o mesmo palco com os SSP.

Apesar de toda a euforia e emoções, o show também teve momentos baixos, tendo-se notado reclamações na qualidade dos microfones, esquecimento de letras apesar dos leds no palco para ajudar e a falta de informação sobre os preços na tenda Vip que não davam direito a consumo.

Recordar que o grupo foi fundado por Big Nelo, Paul G, Khuddy e Jeff Brown no início da década 90, e tiveram um importante papel na aceitação e promoção da música moderna em Angola, marcando a sua fase com uma carreira de ouro que teve início há 28 anos. No percurso da sua actividade, os SSP viveram uma fase que levou à ruptura do grupo no seu formato de quatro elementos. Ultrapassado o mau momento, o grupo decidiu deixar de entrar em estúdio para produzir novos trabalhos discográficos, mantendo viva a atividade de gerir a marca, os direitos de autor e a realização de grandes shows de tempo em tempo num intervalo não acima de cinco anos.

Big Nelo o legado dos SSP E o descanso da Lenda

Nos últimos dez anos, Big Nelo tem mostrado preocupação com o seu legado, depois da LS Produções ter enchido o Estádio dos Coqueiros num show de Yannick Afroman, com vários artistas de peso em cartaz, entre eles o próprio Big Nelo. Ficou evidente que há público no rap para encher um estádio do futebol.

Foi na sequência desta constatação que os SSP foram ousados e bem sucedidos ao encherem o Estádios Dos Coqueiros em 2011, num show marcado pelo facto de não terem tido nenhum artista convidado no cartaz, agora em 2019 os SSP repetiram a proeza na Baía de Luanda, enchendo-a como ninguém o fez antes, tornando assim o grupo liderado por Big Nelo como o primeiro e único a encher o Estádio dos Coqueiros e a Baía de Luanda sozinhos como artistas de cartaz. “Daqui a dez anos, vocês vão contar aos vossos filhos: ‘há um grupo que encheu sozinho a marginal de Luanda, esse grupo chamas-se SSP'”, disse Big Nelo em palco.