Se te perguntarem quem foi o homem mais rico do mundo, será que pensarias num africano? Provavelmente não. África é, demasiadas vezes, vista como um lugar exótico, de recursos naturais e pessoas pobres sem qualquer possibilidade de realizarem grandes feitos. É um erro. Um estereótipo.

África é o continente mais rico do mundo, a nível de recursos naturais (talvez a razão para continuar a ser também o continente mais pobre a nível de produção de riqueza entre a população). E é exatamente sobre riqueza de que vamos falar, mas não uma qualquer. A de Mansa Moussa.

Moussa foi um rei que governou o império do Mali no século XIV e ficou conhecido como o “Rei dos Reis”, Leão do Mali e Senhor das Minas, por possuir uma riqueza incalculável.

“A sua fortuna foi estimada em 400 mil milhões de dólares. Como comparação, Bill Gates, o 12.º [da lista dos mais ricos de sempre] tem apenas um quarto da fortuna de Moussa [78,5 mil milhões de dólares]. É uma das personagens históricas mais incríveis de sempre mas poucas pessoas já ouviram falar dele”, conta Eamonn Gearon, autor de O Sahara: Uma História Cultural.

Kanga Moussa, Mansa Moussa, Kankou Moussa, Kankan Moussa ou Moussa I de Mali, foi o décimo Mansa, que se traduz por “sultão”, “conquistador” ou “imperador”, do rico império da África Ocidental. Mali. Quando Moussa chegou ao trono, em 1312, o império do Mali era constituído por um território, que antes pertencia ao Império do Gana: atual sul da Mauritânia, Melle (no Mali) e as regiões periféricas.

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De acordo com vários historiadores, durante o seu reinado, Moussa conquistou as cidades de Timbuktu e Gao, ambas no Mali, que lhe permitiram assumir assim o controlo de rotas importantes de comércio naquela região. O território do Mali tornou-se assim num dos mais ricos em recursos minerais, como o ouro e o sal.

Um dos feitos mais polémicos e conhecidos de Moussa, que era muçulmano, o “Haje”, peregrinação obrigatória realizada à cidade santa de Meca pelos muçulmanos adultos. Em 1324, Mansa Moussa cumpriu o seu dever enquanto muçulmano e peregrinou até Meca e alertou o mundo sobre a extensão da sua riqueza. Nessa viagem, o imperador levou tanto ouro que o preço desse recurso caiu durante dez anos.

Historiadores dizem que essa viagem durou cerca de um ano, uma vez que o Mali e Meca ficam em pontas opostas de África, sendo preciso então atravessar todo o continente.

Já no Egipto, Moussa enviou um presente de 50 mil Dinares (nome da unidade de ouro) ao Sudão. E como retribuição, o Sudão ofereceu o palácio para que ficassem cerca de três meses e certificou-se que o seu cortejo fosse bem tratado.

O Imperador do Mali faleceu em 1337, mas o seu legado, a “Idade de Ouro”, não foi esquecida, sobretudo pelo povo do seu país e por muitos outros africanos. Moussa, enquanto vivo, construiu inúmeras escolas, mesquitas e uma universidade, que ainda existem nos dias de hoje.

O seu imenso legado devia ser algo do conhecimento de grande parte da população e falado nas escolas, pois trata-se de História, mas por algum motivo, tal como dito por Eamonn Gearon, “poucos ouviram [e ouvirão] falar”.