A quinta mixtape do projecto Milénio de Emana Cheezy chega aos consumidores amanhã, 25 de abril.

E para percebemos mais sobre este trabalho conversamos com o co-fundador de um dos maiores grupos de Angola, a TRX Music, sobre a mixtape Milénio 5.

O rapper conta que “todos os projectos Milénio são especiais por serem um conjunto de situações e ideias pessoais, que passam pela ‘Realidade’ que foi representada no primeiro volume , ‘Alma’ no segundo volume, ‘Poder’ no terceiro volume, ‘Espaço’ no quarto volume e neste quinto volume o ‘Tempo’.”

A mixtape Milénio conta com 12 faixas e participações de alguns membros dos Raptors, o seu grupo TRX Music, e de mais surpresas que não foram anunciadas. Os produtores da mixtape são variados, mas a presença principal é dos seus parceiros da OVNI, a sua produtora pessoal.

Lê a entrevista abaixo:

BANTUMEN: Nova mixtape em menos de 6 meses da Milénio 4 e da Melhor União. 2019 Vai ser um ano de muito trabalho individual ou mais colectivo ?

Emana Cheezy: Todos os anos são de muito trabalho individual e colectivo, mas sinto que este ano o colectivo desenvolveu imenso em termos criativos.

BM: Milénio 5 é a continuação e a consistência de vários anos de trabalho, que significa este projecto para ti ?

EC: São todas muito especiais para mim, representam um série de situações e ideias pessoais.
A primeira foi dedicada à “Realidade”, a segunda à “Alma”, a terceira ao “Poder”, a quarta ao “Espaço” e esta quinta ao “Tempo”.

BM: Quais são os pontos de ligação da Milénio 5 com as anterior além do nome ?

EC: São uma forma de meditação através de sonoridades únicas e intemporais, mostrando que a mente tem bastante força para criar mudanças significativas em diferentes fases da vida.

BM: Onde entram os parceiros da OVNI na mixtape?

EC: De momento apenas na produção e promoção, mas futuramente estarão melhores presentes os restantes membros (artistas).

BM: Comemorar o dia da liberdade em Portugal torna-lhe muito proximo do País. Quais são sua ligações com Portugal ?

EC: Portugal sempre foi um país muito especial para mim e que me ajudou a evoluir e aprender muito quer academicamente, como psicologicamente e mostrou-me que a liberdade é um direito do cidadão. Sempre vi esta data (25 de Abril) de revolução de cravos, como uma inspiração mundial.

BM: Como é a tua ligação com o hip-hop feito em Portugal ? E se tens conhecimento dos principais nomes do rap em Portugal ?

EC: Gosto muito do Hip Hop português e tenho várias referências como Boss AC, Da Weasel, NGA, Regula, Sam The Kid, Valete, entre outros… Muito ajudaram nas minhas capacidades líricas, de produção e de engajamento cívico,

BM: Existe algum plano para tornar maior o nome do Emana e da TRX Music em território Português ?

EC: Existe sim que é colaborar com grandes e influentes nomes da sua indústria musical em projetos que representem mudança, motivação e inovação.

BM: Atualmente vive em Portugal, Angola ou UK? E como consegues estar conectado nestes países ao mesmo tempo ?

EC: Estudei no Reino Unido, mas de momento estou em Portugal a continuar com a realização de planos pessoais, mas que se farão sentir assim que achar preparado.
Angola é a minha casa, o primeiro lugar que me vem a cabeça quando falo de felicidade e que muito quero ajudar a crescer e mudar.
Consigo estar conectado a todos através das relações, de admiradores que consegui obter e através da arte que disponibilizo e passo tanto tempo a valorizar.

BM: Como vê a música / rap feito pela tua geração em especial em Portugal e em Angola?

EC: Sinto que está num caminho especial e que se for criado por via de boas mensagens e estilos musicais irá muito longe.

BM: Vê algum destes nomes como potencial concorrência ou acreditas que existe lugar para todos ?

EC: Existe lugar para todos, mas também tem de haver respeito pela arte e mente de cada um, até porque todos somos diferentes e muitas das vezes a concorrência é entre choques de ideias e convicções… O que não é mau porque nos ajuda a entender melhor cada um, mas tem de ser sempre à base de respeito.

BM: Também sabemos que és um homem de negócios. Como vês o negócio da música para os próximos anos ?

EC: Sinto que os artistas devem ter também uma veia de empreendedorismo por parte das receitas e oportunidades obtidas.
No meu caso prefiro fortificar as minhas marcas (Emana e TRX Music) e desenvolver estruturas que possam solidificar e tornar-me independente no que possa precisar para continuar a mostrar e conservar a minha arte.

BM: Vês os royalties como futuro e sobrevivência dos músicos para os próximos tempos ?

EC: Vejo sim, mas é importante não depender apenas deles para que o artista cresça ainda mais e continue a investir em si.

BM: Plataformas como o Soundcloud ajudam ou prejudicam mais os artistas ?

EC: O Soundcloud ajuda-me imenso em termos de projeção, visibilidade e crescimento de publico e audiência, mas em termos monetários não sinto que seja indicado para valorização do artista.

BM: Como os artistas angolanos e a “industria da música” podem melhorar a presença da música feita em Angola nas plataformas de streaming e rentabilizarem com isto ?

EC: Criando formas de promoção e distribuição que possam facilitar o mercado nacional, mas que não desvalorizem os artistas.
Temos de criar estruturas que favoreçam a realidade do nosso país e ao falar disto aproveito para mandar um props para o CFK pela iniciativa que teve com a Soba Music.

BM: Qual a tua posição sobre a música gratuita em especial para download gratuito ?

EC: Eu pessoalmente sempre fui mais de downloads gratuitos, por conseguir dinheiro através de outros projetos que partem dela. Sinto que um verdadeiro artista não canta apenas por dinheiro e vê-se o quão criativo é quando consegue jogar com isso.

BM: Quais os teus planos para os próximos 6 meses ?

EC: Conseguir a atenção do meu público relativamente às mudanças climáticas que estamos a vivenciar e ajudar a melhorar o mundo.