Fotografias de Dário Pequeno Paraíso em exposição no World Press Photo em Lisboa

Os vencedores da World Press Photo tiveram as suas fotos expostas no Museu de História Natural. Este ano foram distinguidos mais de 140 trabalhos pela Fundação World Press Photo.

A exposição arrancou na sexta-feira, 26, em Lisboa apenas para convidados e fica aberta ao público desde este sábado até ao dia 19 de Maio.

O organização da exposição explicou que o concurso World Press Photo premeia anualmente “as fotografias que dão a conhecer ao público questões e momentos cruciais e fracturantes, que marcam a actualidade de povos e sociedades em todo o mundo, e que se repercutem além-fronteiras, com consequências à escala global”.

Nesta exposição – do maior prémio internacional de fotojornalismo – podem encontrar expostos trabalhos de 43 fotógrafos de 25 países diferentes, afirma a revista Visão, que organiza a mostra em parceria com a Fundação World Press Photo.

Uma das fotografias destaca-se como sendo a fotografia do ano do World Press Photo 2019. Crying girl on the border, da autoria do norte-americano John Moore, foi captada em 12 de Junho de 2018, mostrando uma menina hondurenha a chorar quando a mãe é revistada e detida próximo da fronteira dos Estados Unidos com o México, em McAllen, no Texas. A imagem, que valeu ao fotógrafo norte-americano um prémio de 10 mil euros, foi capa da revista Time, e gerou a contestação ao programa do Presidente norte-americano, Donald Trump, relativamente à separação das famílias de imigrantes.

O conjunto de fotografias intitulado de “Doçura no areal” de Dário Pequeno Paraíso também faz parte desta exposição. O trabalho deste fotógrafo são-tomense tem se feito notar além fronteiras e além do Golfo da Guiné.

O convite foi feito pela Galp em conjunto com a revista Visão para que Dário expusesse as suas fotos e mostrasse o seu olhar sobre São Tomé e Príncipe, a sua interpretação do país e interação dos locais com o mar, sendo o trabalho dele baseado nas ilhas de café.

As fotografias retratam apenas “o dia a dia da população, claro que tem outro tipo de trabalho e outro tipo de narrativas que dá para perceber que as cosias ainda não estão bem no país: problemas sociais, direito das mulheres, problemas gigantes com a nutrição, alimentação no país… Sem duvida que o meu papel ao fazer esse tipo de fotografias é para que as pessoas acordem, há alguma coisa de preocupante a acontecer em São Tomé, em vários níveis”, explicou Dário em exclusivo à BANTUMEN.

São Tomé e Príncipe ainda está em desenvolvimento, é um país pequeno com pouco mais de 200 mil habitantes. É conhecido pela sua natureza ímpar, os seus recursos naturais, pelo café, frutos e comida tradicional como o calulu e banana com peixe. Foi classificado por várias revistas de turismo como “um dos únicos paraísos ainda existentes em África” mas para Dário isso não é o suficiente. “O país necessita de uma mudança de mentalidades para que as coisas tenham um resultado diferente.”

O fotógrafo acrescentou ainda que: “como trabalho individual, sem dúvida que as pessoas se vão preocupar mais. Vão ver o meu nome, vão pesquisar e a minha fotografia está muito baseada em São Tomé, em África. Eu quero que as pessoas se preocupem e tentem perceber muito mais o que se está a passar em São Tomé e tenham curiosidade de saber onde fica.” Para além disso, Dário sente que representa São Tomé e Principe e que tem uma responsabilidade na exposição. ” Sinto-me de alguma forma aqui como um mini embaixador do país, de mostrar onde fica, como é e o mais importante: a nossa essência, a essência são-tomense”, concluiu o fotógrafo.

Podes ver a entrevista na íntegra no IGTV da BANTUMEN.

As fotografias vencedoras estarão expostas no antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, até 19 de Maio, todas as quintas, sextas, sábados, domingos e feriados, das 10h às 20h, de acordo com a organização. Aos sábados e domingos, o público poderá, além de visitar a exposição principal, participar em conversas e workshops de fotografia gratuitos com fotógrafos como Arlindo Camacho, Isabel Saldanha, Luís Barra, Mário Cruz, Gonçalo F. Santos e Nuno Sá.

Wilds Gomes

Sou um tipo fora do vulgar, tal e qual o meu nome. Vivo num caos organizado entre o Ethos, Pathos e Logos - coisas que aprendi no curso de Comunicação e Jornalismo. Do Calulu de São Tomé a Cachupa de Cabo-Verde, tenho as raízes lusófonas bem vincadas. Sou tudo e um pouco, e de tudo escrevo, afinal tudo é possível quando se escreve.