Pai do Denzel ou simplesmente Young Double é o nome do rapper angolano que mais cresceu nos últimos três anos. 

Young Double acabou de apresentar o seu primeiro trabalho de 2019, o EP Pra Sempre, lançado hoje 1 de Maio, Dia do Trabalhador, e que sucede o álbum Conquistador, lançado no final de 2017. 

O trabalho reúne nomes como Kelson Most Want, Dji Tafinha, Pauleusoen e o malogrado Fill Junior, que deixou-nos no mês de março, vitima de um acidente de carro. 

A primeira entrevista de Young Double para a BANTUMEN foi gravada em março de 2015, em Luanda, quando saiu o seu primeiro hit singleTo Na Minha”. N altura, o jovem rapper sonhava conquistar tudo aquilo que tem vivido nos dias de hoje. 

A levantada de Young Double deu-se no início de 2016, quando a “lenda” Big Nelo anunciou o rapper como o novo elemento da label B26, da qual também fazia parte Lil Saint e CEF. Juntos lançaram o álbum O Legado Da Lenda, que saiu em 2016. 

No ano seguinte, Young Double lançou o seu primeiro álbum de originais Conquistador, com participações de vários grandes nomes da música angolana como Anna Joyce, na faixa “Meu Bem Meu Mal”, que conta com mais de 2 milhões de visualizações no YouTube. Outros nomes participaram no projeto como EuDreezy, Landrick, Selda e Rui Orlando.

Foram-lhe ainda abertas as portas do terceiro volume do álbum Team de Sonho, que vai ser apresentado a 11 de maio em Lisboa, no Campo Pequeno.

Recentemente, conversei com Young Double e questionei como ele descreve a sua evolução desde a última entrevista em vídeo que fez para a BANTUMEN, em 2015, até aos dias de hoje.

Young Double :  Essa resposta eu deixo para ti mano Eddie… O que achas? Estavas à espera que eu chegasse até aqui ?

Eddie Pipocas: Sinceramente eu estava, porque é tudo uma questão de atitude e sentido de oportunidade. Já sem a B26 mostravas que sabias o que querias e sempre soubeste agarrar-te à mais pequena das oportunidades.

Eddie Pipocas: O que a B26 acrescentou ao Young Double? Veio apenas adiantar o que já estava destinado a acontecer ou foi o salvar de uma carreira?

Young Double: A B26 chegou no momento em que eu tinha decidido correr atrás de palcos maiores e invadir no mainstream. Chegou no momento certo, o prestígio que a marca tem aliada à minha entrega, dedicação, habilidade, força de vontade, noção de responsabilidade e trabalho fizeram com que o salto acontecesse.

EP: Quais as diferenças entre o Young Double antes do mainstream e o que faz parte do Team de Sonho ?

YD: O número de pessoas que me conhece.

EP: O álbum Conquistador está a caminho do segundo ano e conta com mais de dois milhões de visualizações no YouTube. As expectativas foram atingidas?

YD: Esse número é bom e eu acho que poucos conseguem a solo mas não espelha o real carinho e admiração que o público tem pelo meu trabalho e por aquilo que transmito como artista. Fora da net, as pessoas fazem questão de me mostrar todos os dias o quanto o meu trabalho tem influência nas suas vidas. Portanto as expectativas fora superadas além da conta e eu trabalharei por mais.

EP: O que este novo EP vai trazer de novo e diferente do álbum Conquistador ?

YD: Sou um artista autobiográfico, portanto há sempre coisas novas sobre mim por partilhar com o meu público, a diferença com o álbum está no facto de que as sete faixas do EP serem todas em beats de trap.

EP: Quais as participações vocais no EP e qual a história que deu origem aos convites?

YD: Todos os convidados são artistas que eu respeito e senti que dariam o seu melhor em prol do projeto.

EP: Quem são os produtores?

YD: A única novidade é o Am3ry Beatz que chegou até mim pelo Instagram. Insistiu muito para que eu ouvisse os seus trabalhos e acabei por dar-lhe uma oportunidade que agarrou muito bem e conta com dois beats no EP e mais um no próximo álbum. M.Ao, Quadrado, Foguinho Burned the Beat e Kastro Songz são prata da casa (SpcThaLabel) minha família, já havia cuspido em beats do Smash no álbum da B26, mas desta vez fi-lo a solo e acabou por ser a música que dá título à obra. O meu muito obrigado a todos.

EP: Quais são os segredos ou as histórias engraçadas que aconteçaram durante a gravação ?

YD: Eu não brinco no estúdio, envio as referências aos beatmakers, recebo os beats no Whatssapp ou no meu email, solicito as alterações quando necessárias, vou ao estúdio, gravo e saio de lá com a demo. Essa é a minha disciplina e um dos segredos para ter sempre o produto do jeito que quero. Abraço forte ao Elber por saber que sempre que pergunto se está em casa é porque quero gravar.

EP:  Qual é o peso emocional de ter uma faixa com a participação do malogrado Fill Jr. ?

YD: Eishhh… É uma história curiosa. Há uns sete anos, o Filadas tinha ignorado um convite meu para uma participação. Falei com um amigo dele próximo e disse-me que o gajo não curtia a minha cena. Não levei a mal, como nunca levo, uma vez que cada um é livre de gostar do que lhe apetece. Fiz o pedido porque era fã e não deixei de ser por isso. Continuei a trabalhar até ao momento em que a vida voltou a juntar-nos e houve o desejo mútuo de trabalhar, o que me fez perceber que eu tinha trabalhado o suficiente para merecer o respeito dele sobre o meu trabalho. É uma honra tê-lo nesta obra. Mais uma prova de que ele viverá para Sempre entre nós e será lembrado de forma saudosa pelo imenso talento e energia única.

EP: Qual a label que assina este EP ?

YD: Mancha Negra na produção executiva, SpcThaLabel na produção musical e B26 no apoio.

EP: Como vês a atual situação do movimento hip-hop em Angola?

YD: O rap é uma das, senão a maior, causa de enchentes nas vendas e shows. O resto é a gosto de cada um mas a mim agrada-me estarmos a atingir um público enorme e os mais ajuizados a lucrar de verdade com o seu talento.

EP: A nova escola tem trabalhado mais que a velha escola?

YD: Isso depende daquilo que é a tua opinião sobre quem é nova escola e quem é velha escola. Eu não sou da nova escola, pelo menos não dessa que as pessoas não querem que envelheça ou que se considera (nova escola) um estilo musical.

EP: Se tivesses de fazer parte de uma das escolas qual delas pertencerias e porquê ?

YD: Sou da escola dos que começaram em 2006, lançaram a sua primeira obra em 2007 e de lá para cá nunca mais pararam.

EP: Lembrando dos beefs que tinhas no início de carreia e vendo onde estás e o que já andaste, como olhas para os rappers que noutra outra altura dificultaram o teu crescimento?

YD: Não permito que ninguém pense que pode dificultar alguma coisa no meu processo, todos que um dia tentaram atirar pedras queriam apenas provar o suco do fruto da minha árvore. É uma pena que não vejo nenhum deles bem sucedido na música.

EP: Para terminar, quais os teus planos para os próximos seis meses ?

YD: Vamos conquistar o Atlântico.

EP: Vais dar continuidade à tua própria label ou pensas em fazer o update da B26 para uma label maior ou mesmo internacional?

YD: A única certeza é de que enquanto Deus permitir vou continuar a trabalhar cada vez mais e melhor. O resto a gente vê depois.

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