As atletas de pista femininas com níveis naturalmente elevados de testosterona precisam diminuir a hormona masculina para poderem participar de certas corridas em grandes competições como as Olimpíadas, estabeleceu a mais alta autoridade do desporto internacional, o Tribunal Arbitral do Desporto (CAS, na sigla em inglês), nesta quarta feira.

A decisão foi uma derrota para Caster Semenya, duas vezes campeã olímpica nos 800 metros da África do Sul, que havia desafiado os limites propostos a atletas femininos com níveis naturalmente elevados da hormona masculina.

No momento em que o mundo está a correr em direção a uma maior aceitação da fluidez de género, a decisão do CAS afirmou a necessidade do mundo desportivo continuar a reger-se por linhas de género distintas, essencial para que o resultado de eventos femininos fosse justo.

“A equipa de estudos de género passou os últimos 20 anos a desconstruir o sexo e, de repente, enfrenta uma instituição com uma versão totalmente oposta”, disse Doriane Lambelet Coleman, professora de Direito da Duke e uma atleta de elite de 800 metros, que em 1980 que serviu como testemunha especializada para o corpo de regência mundial de atletismo. “Temos que perguntar: ‘O respeito à identidade de género é mais importante, ou é mais importante ver os corpos femininos no pódio?’”

A biologia de Semenya tem estado sob escrutínio há pelo menos uma década, desde que ela entrou em cena no campeonato mundial de atletismo de 2009 e foi submetida a testes sexuais após a sua vitória. Na África do Sul, fala-se de racismo. A questão de sobre uma característica biológica rara causar uma vantagem injusta para Semenya e para um pequeno subconjunto de mulheres rapidamente se transformou numa batalha sobre privacidade e direitos humanos, e Semenya tornou-se no seu símbolo. A atleta é bastante reservada e sobre essa questão diz apenas que Deus a fez do jeito que é.