Arranca esta terça-feira, 7, a terceira edição do Festival de Literatura Resiliência que se estende até quinta-feira, 9, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo. O evento conta com o apoio oficial do Ministério da Cultura e Turismo de Moçambique e envolve diversas entidades culturais.

“O festival tem tido a organização da Editora Cavalo do Mar desde 2018, com o objetivo de promover o livro e a maior circulação das obras dos autores moçambicanos, dentro e fora do país, contribuindo assim para a edificação de um sistema literário resiliente e concorrendo para a formação de leitores no país e na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), através de um amplo acesso ao vasto universo da nossa literatura”, explica-nos o comunicado enviado à redação.

Esa terceira edição do Resiliência é uma celebração das letras e da cultura de países de língua portuguesa, onde o tema central baseia-se muito na “Mobilidade e Criação Artística na CPLP”. Também se pretende abordar, debater ou discutir propostas para a (re) formulação de políticas culturais e estratégias para a redução dos obstáculos que impedem uma maior circulação de bens culturais e mobilidade dos escritores na CPLP. O lema deste ano vem também de encontro ao da atual presidência cabo-verdiana da CPLP.

O programa do festival está mais que completo, acontece no mesmo mês que se celebra África (Dia de África, 25 de maio) e também o mês da celebração do nonagésimo sétimo aniversário do nascimento de José Craveirinha, considerado um dos melhores e maiores poetas moçambicanos e o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões, em 1991.

Estão marcadas mesas de debate, lançamentos de livros, uma feira do livro e outras atividades, com a participação de escritores de várias gerações e países, de académicos, críticos literários, jornalistas, livreiros, editores e músicos, totalizando 32 participantes, como Ondjaki e Gisela Casimiro. Este festival conta ainda com duas atividades paralelas, nomeadamente, uma oficina de escrita criativa e uma visita guiada ao mítico bairro da Mafalala.

Gisela Casimiro é colaboradora assídua da BANTUMEN, fotografa, artista plástica e escritora portuguesa, nascida na Guiné-Bissau. É formada em estudos portugueses e ingleses e tem textos publicados em Portugal, Macau e Turquia.

Depois de ter participado como convidada no #BANTUMENpodcasts desafiamos a autora a ter o seu próprio espaço na rubrica.

Gisela passou a apresentar no formato podcast o “Quem Tem Ouvidos”, que a própria caracteriza como um novo ciclo de leitura com as melhores obras que já passaram pelas mãos da autora.

Lançou no ano passado a sua primeira obra intitulada de “Erosão” que aborda sobretudo questões universais, amor, terrorismo, racismo, espiritualidade, entre outros, e passa também pelo processo de aceitação da pessoa enquanto negra, numa perspectiva inspiradora.

Em exclusivo para a BANTUMEN, a escritora afirmou que Maputo abre a ponte para um regresso literal a África, um dos meus grandes objectivos para este ano. “Hoje pude assistir a uma intervenção do Professor Doutor Carlos Reis, uma referência incontornável nos Estudos Literários em todo o universo lusófono, na Universidade Pedagógica de Maputo, extra festival, e aguardo ansiosamente o início do mesmo.”

Acrescentou ainda que está muito grata pela oportunidade que lhe foi dada e a possibilidade de  poder apresentar a sua obra no outro lado do mundo. “Discutir questões que nos interessam a todos, independentemente de género ou origem e sobretudo de reorganizar o meu pensamento e aprendizagem, finalmente do lado de lá. Ou será de cá? O mês de maio celebra o dia da língua portuguesa e da cultura na CPLP, bem como o dia de África, como tal faz sentido olhar estes temas da perspectiva africana, descolonizar o meu pensamento, ter um contacto directo e sem filtros com a realidade, as preocupações e as contribuições moçambicanas para a literatura.

O festival Resiliência inspira-me ainda a continuar o meu trabalho e luta diária pela afirmação e visibilidade negras, algo comum aos três continentes de que são originários os seus intervenientes, sem nunca esquecer a força da unidade”, conclui Gisela Casimiro.