Quando ouvimos dizer que a música une pessoas e nações, é verdade, e isso viu-se no sábado, 11, na terceira edição do Team de Sonho, no Campo Pequeno.

Ao entrar na casa onde se fazem um sem número de festas ao longo do ano e onde as touradas param uma cidade, Campo Pequeno, em Lisboa, ouvíamos a música a tocar. Entre hits da velha e antiga escola, DJ Callas recebia as pessoas com as suas mixagens.

A festa prometia, o cartaz era de deixar qualquer africano ou amante da música africana com vontade de ir e de não perder nada. Eram mais de 18 os artistas que iam atuar naquele palco que parecia ser pequeno para tantos nomes de peso da música PALOP.

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Ary, Pérola, Filho do Zua, Yola Araújo, Bass, Os Tuneza, Cage One, Dj Darcy, KyakuKyadaff, Dj Malvado JR, Yannick Afroman, Young Double, Puto Prata, Biura, Rui Orlando e CEF Tanzy, eram a melodia escolhida para esta terceira edição e que fariam todos dançar e rir de alegria.

“Quando nasceu o Team de Sonho era exclusivo apenas para os artistas da LS Republicano, no segundo volume evoluiu para os artistas cabo-verdianos e no volume três evolui para os artistas moçambicanos. Com o grande objetivo de levar a música angolana para vários países, e acreditamos que juntos podemos criar uma corrente maior, sobretudo mostrar que temos qualidade e podermos estar em diferentes palcos”, afirmou Nino Republicano quanto ao que se pode esperar do projeto e desta edição.

Para além da boa música, a festa tinha um objetivo solidário: apoiar as vitimas do furacão Idai em Moçambique. Dois euros do valor de cada bilhete vendido seriam revertidos para a causa.

Nino acrescentou ainda que a LS Republicano está associada a vários projetos e o mesmo acontece com o Team de Sonho, que estará presente “em Benguela, associado às vítimas das cheias que aconteceram na província do Lobito. Nós procuramos juntar o útil ao agradável, e procurarmos também estar em paralelo com assuntos sociais e a culturais. Em Angola os artistas são os maiores embaixadores, e se nós podermos dar voz ao problema dos nossos países, muitas outras pessoas hão de nos seguir.”

O espetáculo começou com risos proporcionados pel’Os Tuneza e de seguida os Dream Boyz fizeram com que todos cantassem em uníssono as suas músicas. O palco depois pertenceu a Young Double, Cage One, Bass, Yola Araújo, Cláudio Fênix, Puto Prata entre outros. Esta edição contou com alguns novos nomes no cartaz como Kyaku Kyadaf, o artista que deu voz à música “Mónica”.

“Sinto me feliz. Porque num universo de vários cantores angolanos, eu ter sido escolhido para participar deste show é sinónimo de que o meu trabalho está a ser reconhecido. E eu acredito que este show vai servir de termómetro para medir até que ponto as pessoas conhecem a minha música (…) a ‘Mónica’ obviamente que veio tornar a minha carreira muito mais reconhecida. Ganhei com ela vários prémios. Acredito que essa música serviu de trampolim para culminar ou dar mais forças ao todo trabalho feito por mim ao longo dos anos. A ‘Mónica’ é uma musa” explicou Kyaku em exclusivo para à BANTUMEN.

Apesar da “casa” não estar completamente cheia como se esperava, e a declaração agridoce em palco de Puto Prata – ”tirei dinheiro do meu bolso e vim de Angola para estar aqui, isso é o verdadeiro kuduro” – a música fez-se ouvir.

Big Nelo prometeu no início do show que esta terceira edição ia dar carga. “É um projeto de Angola e da Lusofonia. O grande objetivo é a união, unir todos, a arte não tem barreiras. E se não tivermos satisfação mental, não fazemos nada. E os africanos, homens da lusofonia não vivem sem música, a música faz parte de nós apesar do nossos problemas em África.

O líder dos SSP acrescentou ainda que está a trabalhar num EP “para sair em junho, com cinco a seis faixas. Já não lanço um álbum desde o último com o C4 Pedro e o fãs já pedem.”

A festa terminou com os cânticos do próprio Big Nelo e da cantora Pérola.