A feira Internacional de Arte Contemporânea – ARCO Lisboa realiza-se de 16 a 19 de maio na Cordoaria Nacional, em Lisboa. Esta edição apresenta como novidade a secção ÁFRICA EM FOCO, um espaço que a feira assume como ponto de partida na singular posição internacional de Portugal na encruzilhada entre África e a Europa. A secção ÁFRICA EM FOCO tem como curadora a angolana Paula Nascimento.

A THIS IS NOT A WHITE CUBE vai marcar presença na secção principal da ARCO Lisboa, com um espaço de 24 m2, no qual apresenta quatro artistas africanos – Januário Jano e Cristiano Mangovo (Angola), Gonçalo Mabunda (Moçambique) e Patrick Bongoy (República Democrática do Congo) – com obras de pintura, fotografia, escultura e instalação.

“Spaces in Between”

Na sequência da sua representação nesta edição da ARCO Lisboa, a THIS IS NOT A WHITE CUBE reforça a sua participação na feira com um projeto expositivo mais extenso, através do comissionamento de um programa paralelo da ARCO -“Spaces in Between”- uma mostra coletiva internacional que reúne 14 artistas, de oito países africanos e da diáspora, em linha com os temas de focagem da ARCO Lisboa 2019, explorando as áreas de pesquisa, criação e colecionismo africano.

“Spaces in Between” integra uma pluralidade de media e estéticas, de artistas de diversos países africanos, sendo na grande maioria, artistas conceituados com percurso internacional relevante. Parte dos artistas internacionais expõe, pela primeira vez, os seus trabalhos em Portugal. A mostra inclui obras de fotografia, escultura, pintura, mixed media, live performance e instalação.

Entre 17 e 29 maio, a exposição “Spaces in Between” ocupará um palacete em ruínas, futuro Hotel Boutique, na rua da Madalena, em plena baixa de Lisboa. O espaço expositivo estende- se ao longo de três salas contíguas, hall e escadaria do antigo palacete.

Sónia Ribeiro, fundadora da TINAWC, indica que foi, para a galeria angolana, “um enorme desafio organizar uma exposição deste nível, em Portugal. “Spaces in Between” é umaexposição coletiva que reúne artistas de diferentes gerações, contextos geográficos e percursos profissionais. A mostra, dividida em três núcleos, pretende evidenciar trabalhos e práticas que se centrem numa política antirracista, feminista, diaspórica e de reinvenção, habitando espaçosarquiteturais, identitários e de memória, afetivos e imaginários“.

No texto curatorial, André Cunha, contextualiza: “Parte-se do espaço com ponto de partida: espaço arquitectural; espaço temporal; espaços entre os espaços; espaços de comunicação. As questões de identidade e memória estarão materializadas nas reflexões e nos afetos, na realidade e no imaginário, num diálogo transversal nas várias disciplinas, materiais e artistas.

Nesta mostra, salienta-se a performance artística, na vernissage, de Januário Jano, designada “Homo Supper, com cerca de 30 minutos, a participação de dois artistas presentes na Bienal de Veneza, em representação de Moçambique: Gonçalo Mabunda- que é mais conhecido pelosseustronos,quefuncionamcomoatri utosdepoder,simbolostribaisepecastradicionais da arte etnica africana – e Filipe Branquinho, cujo trabalho a orda questoes do foro social, debrucando-se sobre a realidade de Mocambique, especialmente os modos de vida da população, as mitologias e as dinâmicas urbanas. Destaque, ainda, para Mónica de Miranda,
uma artista da diáspora angolana, finalista dos prémios Fundação EDP 2019 que apresentanesta exposição o ras do projecto “Panorama” exi ido em Londres, em 2017, e em Luanda, em 2018.

No hall, a live performance de Januário Jano, “Homo Supper”, parte da “Última Ceia”, segundo os relatos bíblicos, refere-se à última refeição que Jesus partilhou com os seus apóstolos antes da sua crucificação, em Jerusalém. Faculta a base para refletir sobre como a atividade humana afeta o ecossistema do planeta. O desempenho irá desencadear uma experiência reflexiva e diálogo com os espectadores que podem experienciar as mesmas preocupações sobre as questões inerentes à globalização, na actualidade.

Num dos núcleos expositivos, assume-se o espaço arquitetural como ponto de partida de reflexão, transformação, transição, a construção da identidade. Aqui surgem peças da obra fotográfica de Mónica de Miranda, da série Bailarina, Filipe Branquinho apresenta fotografias, da série Interior Landscapes, e Januário Jano expõe uma instalação fotográfica inédita.

Noutro, explora-se o espaço no presente, a partir do corpo, a focalização em questões sociais, económicas e culturais no continente africano. Em forte contraste com a obsessão do mundo ocidental por aparências físicas aperfeiçoadas, a beleza encontrada em algumas mulheres africanas e, ao mesmo tempo, a desconstrução do corpo humano, para as questões de perceção e identidade. Aqui, Alice Marcelino propõe peças da série Kindumba, enquanto Marion Boehm apresenta a sua visão de retratos. Ainda sobre fotografia, Justin Dingwall exibe trabalhos da serie Albus que reflete as questões de perceção do outro e propõe um debate publico acerca do taboo do albinismo. Nesta sala surgem também as intervenções sobre papel de Pedro Pires, obras de pintura de Cristiano Mangovo e de Hako Hankson, onde o corpo é desconstruído. Com as obras de Evans Mbugua poderemos apreciar arte em perfeita simbiose com o design numa vertente mais urbana e contemporânea.

O espaço é também interpretado, enquanto espaço escultórico. Espaços entre espaçopassado – futuro onde as memórias do passado assombram o futuro. Aqui surgem instalações, esculturas numa transição materializada, de artistas como Gonçalo Mabunda e os seus tronos, Januário Jano, com uma peça da série Mponda, enquanto Patrick Bongoy exibe uma escultura em borracha reciclada como resposta à realidade global da poluição ambiental literal e figurativa – abrangendo todo o espectro da erosão da viabilidade económica, o impacto sobre a comunidade e o comportamento individual, e a decadência sociocultural da paisagem rural e urbana. Nelo Teixeira apresenta instalações de tecido e Evans Mbugua pintura. Neste espaço surge ainda uma série de esculturas de EL LOKO, com base na sua criação de um alfabeto universal.