A sua jornada não foi tão fácil quanto muitos podem pensar. Nascida e criada na cidade de Mombasa, no Quénia, Elizabeth estudou inicialmente Direito na Universidade de Nairobi. Mais tarde, optou pela navegação em Alexandria, no Egipto, por cinco anos. Hoje é o primeiro prático marítimo mulher do seu país.

O seu trabalho implica ajudar os navios a entrarem nas águas territoriais do Quénia. De acordo com a lei, as embarcações que entram nas águas territoriais de um país não podem progredir até ao porto sem funcionários práticos que atuam como guias a bordo.

Num sector dominado por homens, Elizabeth é agora uma profissional acreditada, a primeira mulher a ter conseguido. Depois do feito, as redes sociais foram o seu microfone para expor o seu duro percurso.

“A cada novo dia há uma nova experiência e lição, tive aqueles que me aceitaram e ajudaram a melhorar e houve algumas rejeições que me doeram tanto que quase desisti mas, no geral, eu diria que certamente cresci.”

Num longo post no Twitter, Elizabeth lembrou como quase desistiu do seu sonho e dos desafios que teve que superar.

Em 2009, embarcou na jornada que mudaria sua vida para sempre.

“Quando és um pioneiro, as prioridades mudam, não é mais sobre ti, mas como farás desse espaço um lugar melhor para as gerações futuras”, escreveu na rede social.

Elizabeth estudou no Egipto, em 2000, porque, na altura, o Quénia ainda não estava capacitado para oferecer os cursos reconhecidos internacionalmente pela Organização Marítima Internacional.

Esforços foram feitos e muitos trabalharam incansavelmente até que um currículo fosse desenvolvido e a lei de embarque Mercante reavaliada. Em 2010, o Quénia foi aprovado pela organização marítima internacional para oferecer este curso que passaria a ser internacionalmente reconhecido.

“Eu cheguei em casa em 2014 com a minha primeira licença, mas não consegui progredir como prático porque precisava obter a minha licença seguinte (1.º Oficial), então continuei a ser prático estagiário. Isso só poderia ser mudado se eu trabalhasse num navio como um 3.º ou 2.º Oficial por 12 meses”, acrescentou Marami.

Marami conta ainda que andou a bater de porta em porta de diferentes empresas de transporte marítimo, por três anos, para obter colocação, e foi recusada por causa do seu sexo, e com o passar do tempo, a idade. E isto, assistindo à progressão do seus coligados masculinos após colocação nas mesmas empresas. Tendo assistido aos seus colegas masculinos progredir após serem  colocados em empresas que a rejeitaram por ser do sexo feminino.

Em 2017, uma empresa ofereceu-lhe uma oportunidade como cadete e esta aproveitou na esperança de que tudo o que precisava era “esmerar-se para ser promovida e trabalhar como um oficial de terceiro deck e, a partir daí, passaria a contar os seus meses de experiência para alcançar a próxima licença”.

Marami  tem agora a oportunidade de trabalhar num novo navio de construção, contrato este que começou em março e que durará nove meses. A cadete tem esperança de que desta vez seja promovida para que o seu tempo no mar possa realmente contar.

Este ofício conhecido pelo nome de prático consiste em ajudar comandantes de navios a atracar as embarcações no porto. Pelo tamanho da responsabilidade, o cargo é preenchido por concurso da Marinha e chega a render  $ 22 801 Euros por mês dependendo do número de navios manobrados.