A maior rede social do mundo, o Facebook, entrou no mundo das criptomoedas com a sua própria moeda digital. A Libra foi concebida para economizar, transferir ou gastar dinheiro com a mesma simplicidade do envio de uma mensagem de texto.

A moeda digital tem parceria com gigantes como Mastercard, PayPal, Uber e Spotify e poderá ser usada pelo Messenger e WhatsApp.

O lançamento aconteceu no momento em que o Facebook tenta recuperar a credibilidade e confiança, perdidas após uma série de escândalos que abalaram fortemente a sua popularidade.

O CEO da empresa, Mark Zuckerberg, prometeu levar o Facebook a uma nova direção, com destaque para as mensagens privadas e os pagamentos eletrónicos.

“Libra”, que é descrita como “uma nova moeda global”, foi apresentada nesta terça-feira (18) pela maior rede social do mundo como um meio de pagamento com o potencial para tirar as criptomoedas da sombra.

O protótipo apresentado é como um código aberto que pode ser usado por desenvolvedores interessados em incluí-la em aplicativos, serviços e negócios antes do seu lançamento como uma moeda digital no próximo ano.

Uma organização sem fins lucrativos com sede em Genebra, irá supervisionar a tecnologia blockchain da Libra para manter a estabilidade da moeda. A organização é integrada, entre outras entidades, por operadoras de cartão de crédito como Mastercard e Visa, empresas de transporte como Uber e Lyft e até a organização Women’s World Banking, que ajuda mulheres desfavorecidas.

A iniciativa pretende fazer com que mais de mil milhões de pessoas de todo o mundo, que não têm acesso a bancos, possam contar com serviços comerciais e financeiros online, afirmou Dante Disparte, diretor de política e comunicação da Libra Association.

“Acreditamos que se dermos às pessoas a possibilidade de acesso a dinheiro e oportunidades com um custo menor, o que em parte a Internet faz com a informação, é possível obter muito mais estabilidade do que a que temos até agora”, disse.

“Libra tem potencial para ser uma ponte entre as tradicionais redes de financiamento e as novas moedas tecnológicas, ao mesmo tempo que reduz custos para todos”, completou.

O projeto Libra aprendeu com as lições de outras criptomoedas, como o bitcoin, e foi pensado para evitar as variações abruptas de valor que afetam as moedas virtuais e que são fonte de especulação e de ruínas.

O dinheiro real utilizado para comprar a Libra será a reserva e garantia do dinheiro virtual, cujo valor refletirá o de moedas estáveis como o dólar e o euro, segundo os credores.

Para que a moeda digital opere em escala global, a Libra tem como base uma plataforma de tecnologia blockchain que usa quase 100 “nós” de computador confiáveis para validar e registrar transações.

Blockchain é uma espécie de registro público que não pode ser falsificado e permite transferir moedas virtuais de forma rápida e segura.

A informação financeira dos usuários da Calibra está estritamente separada dos dados do Facebook e não será utilizada com fins publicitários, afirmou à AFP Kevin Weil, vice-presidente da Calibra.

A Libra será uma moeda regulamentada, submetida às leis locais sobre fraudes ou lavagem de dinheiro, de acordo com Weil, que apontou que, na sua visão, a maioria dos negócios ilegais “são feitos com dinheiro em espécie”.