Os DJs e produtores musicais brasileiros Vini Ferreira e Grazi Largura iniciaram as suas jornadas na música electrónica individualmente em 2005.

Unidos pela música desde 2012, Grazi Largura e Vini Ferreira são os nomes que compõem o duo Drunky Daniels, que está na estrada há quase uma década. No repertório contam com 120 releases digitais e quatro discos. Agora, dão um passo à frente e lançam o seu primeiro álbum, Zabumba , que será lançado a 9 de julho pela gravadora angolana Seres Produções .

O relacionamento entre o duo brasileiro e a Seres Produções, comandada por DJ Satelite, começou em agosto do ano passado, quando algumas demos fizeram parte do EP Maxixe. A estética tech house com traços do afro house repercutiu muito bem e novos trabalhos nessa linha foram lançados, como o EP Rebolado, em janeiro deste ano.

Em Zabumba a história se repete, mas o desenrolar é ainda mais brilhante.

O álbum conta com 13 faixas autorais, sendo nove originais e três colaborações: uma com FNX Omar do Marrocos, com K.O.D. e MsizKay do Zimbabwe e outra com o também brasileiro Fran Bortolossi.

Todas as faixas possuem uma mensagem bem definida e muita influência da cultura afro brasileira, utilizando elementos nativos e africanos na composição, como:+ pandeiro, atabaque, triângulo, afoxé e é claro zabumba.

A estética afro house misturada com house music e tech house é nítida na história contada da primeira até à última música. O swing abrasileirado e envolvente traz melodias profundas e densas, e também grooves bem dançantes, explorando uma nova visão musical e conceitual do Drunky Daniels.

Os Drunky Daniels já passaram por diversos clubs e festivais, dentro e fora do Brasil, como Tomorrowland Brasil, XXXperience Festival, Tribe Club, Planeta Atlântida, Warung Tour, Tribaltech Festival, Anzu Club, Amazon Club, Save Club, Club 88, Club Vibe, Suicide Circus (GER), Weekend Club (GER), Union Club (UK), Cavo Paradiso (GRE), Dot Athens (GRE), Cocoon Beach bar (GRE), Terraza (GRE) entre outros.

Estivemos à conversa com o duo e falamos sobre estes quase dez anos de muitas batidas dançantes.

Tendo em conta quase uma década de existência do projecto Drunky Daniels, no que toca à vossa produção, mudou alguma coisa neste período?

Temos o Drunky Daniels há sete anos, mas já tocávamos separadamente desde 2004/2006. A evolução, amadurecimento musical e espiritual foram enormes. Sempre acreditámos em uma linha de som vibrante e de forte expressão como o House Music e Tech House, que sempre condensaram muito bem nossa identidade. Com o lançamento do Zabumba, o momento é de muita energia e clareza para o nosso projecto.

A designação Afro House pode ser ambígua e, por vezes, estar um pouco diluída dentro do estilo House. Qual é o vosso contributo?

Nossa cultura brasileira tem 100% de influência africana, e fazia algum tempo que queríamos dar esse toque mais brasileiro para nossa música, mas sempre foi costume, artistas Brasileiros fazerem sons mais Europeus, pouco se utilizava elementos ou temas do nosso país.

Hoje em dia já está mais comum, e mais consumido pelo grande público, e isso começa a ser visível nas tais influências que falamos anteriormente, ganhando assim outra valorização. Com nosso primeiro EP pela Seres Produções, chamado Maxixe, já conseguimos trazer essa atmosfera mais evidente e a estética que ainda não havíamos conseguido expressar.

A forma intensa do género aliado ao groove mais abrasileirado do nosso som por característica, nos fez conversar com públicos mais próximos e distintos dos nossos, dando assim primazia a todos esses fatores fortes provenientes das misturas de valores e cultura de ambos os lados, enaltecendo dessa forma todo o contexto que aqui era desejado..

O Zabumba tem nomes fortes da música africana. Tem havido mais diálogos para, por exemplo, participações em eventos?

Sim, todos os nomes têm histórias particulares, que dão vida para o álbum como um todo. Este ano, aqui no Brasil, já surgiram algumas festas e muitos festivais no Centro Sul do país, onde anteriormente o tema mais afro acontecia com mais regularidade na região norte.

Já temos a nossa festa de lançamento do “Zabumba”, no Club Vibe em Curitiba – Brasil, onde vamos fortalecer muito a nossa cena e conectar artistas nacionais e estrangeiros. Também tem acontecido muitos convites para eventos voltadas para a cena Afro House, o que nos deixa muito felizes ajudar nessa expansão do gênero pela América do Sul.

Vai haver “Zabumba” fora do Brasil?

Vai sim! Em novembro, temos alguns convites em África e na Europa, mas pretendemos levar o Zabumba para diversos países.

Podemos ter mais detalhes sobre o projeto?

A faixa “Elo” foi feita com muita referência ao álbum África Brasil, do grande cantor e compositor brasileiro, Jorge Ben Jor, que em 1976 ano do lançamento do disco, a sua obra já estava anos na frente de todo mundo no aspecto do feeling e expressão da nossa essência Afro-Brasileira. Com muito soul, funk e samba.

A recepção plena e mundial de um projeto como este – marcadamente afro-brasileiro, em termos de identidade – é fruto da aldeia global e do multiculturalismo na sociedade contemporânea? Não temem que algo que tem a ver com a essência se perca?

A aceitação está mais forte ainda na sociedade atual, mas está na nossa antropologia e sociologia cultural directamente. Hoje temos mais acesso à informação e muitos artistas novos. Muitas vezes o mercado da música atrai algumas pessoas que não tem essa mesma história e vivência, não agregando na cena como um todo. Isso sim, pode ser um ponto negativo.

Mas de outro lado, acreditamos que é um momento de muita união e aceitação, como no nosso álbum, que nos conectamos com gravadoras e artistas de muitos países distintos do nosso, mas com a cultura e essência parecidas. Achamos que esse é o ponto mais valioso actualmente na nossa cena e somente dessa forma a música será verdadeira, ampla e duradoura.

Que planos têm a longo prazo?

Temos alguns EPs e remixes muito especiais agendados para serem lançados do próximo semestre até 2020. Nosso trabalho sempre expressa nossa vivência cultural, musical e de comportamento. O Brasil é grandioso em muitos aspectos e se conecta com diversas etnias facilmente, mas pouco explorado com a música electrónica ainda.

Como a música evolui, assim como nossos pensamentos, sempre manteremos nossa essência na forma de expressão, aliadas ou não, de outras influências, sempre será nosso desafio mais motivador.

 Ouve o preview dos Drunky Daniels no soundcloud