A Nigéria e o Benim, dois dos três países da União Africana que ainda não tinham assinado o acordo de comércio livre no continente, anunciaram ter aderido ao bloco que está a ser lançado numa cimeira no Níger.

Selado em 2018 e ratificado em abril deste ano pelo número mínimo de países necessários para o seu lançamento, 22, o acordo estabelece um enquadramento para a liberalização de serviços de mercadorias e tem como objetivo eliminar as tarifas aduaneiras em 90% dos produtos.

Com o anúncio da Nigéria e do Benim, a Eritreia passou a ser o único país entre os 55 da União Africana que não assinou o acordo.

“Este é o maior evento histórico para o continente africano desde a criação da OUA [Organização da Unidade Africana], em 1963”, afirmou o Presidente nigeriano, Mahamadou Issoufou.

O Presidente nigeriano e o Presidente beninense, Patrice Talon, assinaram o acordo no Palácio do Congresso, aplaudidos pelos seus homólogos africanos presentes em Niamey, capital do Níger, para a cimeira que marca o arranque oficial do Acordo de Livre-Comércio Continental Africano (AfCFTA, na sigla em inglês).

O acordo pretende estabelecer o maior mercado do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) acumulado que pode chegar aos 2,5 biliões de dólares (cerca de dois biliões de euros).

Neste momento, os países africanos trocam entre si 16% dos seus bens, um valor aquém dos 65% entre países europeus, mas a União Africana acredita que o acordo irá levar a um aumento de 60% do comércio dentro do continente até 2022.

Entre os países lusófonos, o acordo foi apenas ratificado por São Tomé e Príncipe.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde anunciou na sexta-feira que o país está num “processo normal de ratificação”, garantindo que o acordo “já foi aprovado em Conselho de Ministros”, faltando o aval do parlamento e do Presidente da República.

Na cimeira, Angola estará representada pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, Guiné-Bissau pelo Presidente do país, José Mário Vaz, e Moçambique pela vice-ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas.