O primeiro dia do Super Bock Super Rock, sobre o qual já falamos aqui, viu os seus bilhetes esgotados por causa de Lana Del Rey. Conan Osiris, Dino D’Santiago e Branko, também se fizeram ouvir no mesmo dia deste evento que mistura fãs do campismo e de boa música.

Já o segundo dia não foi assim tão bom, apesar de ter bons artistas e concertos como Christine and the Queens, Ezra Collective e Dâm Funk, foi Phoenix e Kaytranada (no palco principal) e Capitão Fausto e FKJ (no secundário) que tentaram salvar o dia que não chegou a lotar.

O terceiro dia veio para vingar-se do anterior, que terminou com Migos, Janelle Monáe, ProfJam, Mike El Nite e Masego. Vamos por partes. Primeiro ProfJam: para quem pensava que o palco principal do Super Bock Super Rock fosse demais para Prof, enganou-se, o palco tornou-se pequeno para a grandeza que Prof mostrou ter.

Subiu ao palco vestido de branco, da cabeça aos pés, que é como se tem vestido nos últimos concertos para apresentar o álbum “#FFFFFF” (código hexadecimal da cor). “Vim, vi e venci” era o que se podia tirar da atitude que o rapper de Telheiras teve em palco. O público seguia letra à letra os temas cantados por Prof como “A Palavra”, “Matar o Game” ou “Mortalhas”.

O concerto foi uma mistura de saltos e lágrimas, sim, houve quem chorasse quando Profjam chamou a sua mãe em palco, com um sorriso na cara para cantar “A vontade”. Para finalizar “O Hino”, “Tou Bem” com Lhast, e o tema “Malibu” mantiveram a multidão aos saltos até ao baptismo com “Água de Coco”, que foi cantado em coro com todos.

Chegou a vez de Janelle Monáe subir ao palco, foi a quinta passagem da cantora norte-americana pelos festivais portugueses. E chegou sem pedir com licença, com Female Power e empoderamento.

Estás a ver aquele sentimento que tens de paz quando um dos teus familiares tem o dom da música e que consegue tornar qualquer canção bonita ao som de uma guitarra? Isso mesmo: a Janelle Monaé fez isso enquanto pedia que todos tivessem a luz do telemóvel acesa e deixássemos nos embalar pela voz dela, porque “o amor é luz, e vamos fazer dessa noite bonita”, afirmou a cantora.

Monáe deu um espetáculo pop riquíssimo e real, sentou-se num trono, era a rainha da noite. A norte-americana, afro-andróide tornada afro-humana (ou vice-versa), trouxe algum futurismo a um festival que se fez sobretudo do presente. Rodeada pelas suas bailarinas, Monáe entrou em palco ao som de “Assim Falou Zaratustra”, de Strauss, e do icónico discurso de Martin Luther King sobre o seu maior sonho (crianças negras e brancas, livres e de mãos dadas), até começar com ‘Crazy, Classic, Life’, tema desse seu último trabalho.

O guarda roupa parecia ser de uma passagem de modelos em Paris; extravagante mas ao mesmo tempo bonito. Em palco desde a cantora, banda e bailarinas ninguém parecia estar cansado. Janelle ainda teve tempo para conquistar o público com alguns dos seus dotes à guitarra na música “Make Me Feel”.

Mas antes de terminar o show que estava a dar, entrou com “Cold War” de uma forma mais íntima e slow do que a versão original, ela fez questão de apelar loud and clear (alto e bom som, traduzido para português) aos direitos das mulheres, dos negros, dos emigrantes, da população LGBTQ+ e ao impeachment de Donald Trump. E despediu-se com “Tightrope”, que se pode chamar de funk moderno, considerado por muitos como a sua melhor canção.

Portugal abriu os olhos quando conheceu Masego na sua estreia no país, no ano passado, com um concerto no Super Bock em Stock. Micah Davis, que é o nome de nascimento do cantor, subiu ao palco EDP à hora marcada. Sinples, apenas com um hoodie vestido e saxofone nas mãos, Masego trazia consigo uma mistura da música de Kingston, na Jamaica, de onde é natural o seu pai, com toques americanos, uma fluidez de funk, soul, rap e um pouco de rock.

Quem teve a oportunidade de o ver no ano passado, já sabia o que podia esperar: boa vibe e boa música. Cantou “Lady Lady”, o único álbum do cantor que significa “bênção” numa língua da África do Sul. Os festivaleiros cantavam em coro os temas do LP como ‘Tadow”, “You Gon’ Learn Some Jazz Today”, ‘Sego Hotline’ ou ‘Just a Little’ e sim, Masego cumpriu com as expectativas.

Skkrt skkrt. Chegou finalmente a hora mais esperada da noite, embora com alguns minutos de atraso, a vez dos aMigos. Mas quem deu inicio à festa foi o DJ e produtor Durel. Da mesa de mistura e do computador do DJ, podiamos ouvir “I Got 5 On It” e “Sicko Mode” o suficente para aquecer mais o público que só pedia a entrada do grupo.

E de repente surgem no meio do escuro os Migos, Quavo, Offset e Takeoff. Os autores de “Stripper Bowl”, “Kelly Price”, “Bad and Boujee”, “T-Shirt” ou “Walk It Talk It”, fizeram subir fogo no palco, literalmente, seguido de um mosh pit, a pedido da banda, em “Open It Up”.

A nova geração cantava alto e bom som cada música, parecia que faziam parte do grupo. O hype era tanto que muitas fãs sentiram-se mal, desde desmaios a lágrimas, e isso só confirmou que os Migos conquistaram o público logo nos primeiros segundos de cada tema.

Após uma hora de festa, sem se despedirem do povo português, o grupo abandonou o palco, deixando DJ Durel em cena cargo para encerrar um espetáculo que mostrou que a nova geração sabe o que ouve e que a estreia dos Migos em Portugal foi um êxito surpreendente.

O festival Super Bock Super Rock, estará de volta nos dias 16, 17 e 18 de julho de 2020.