Já se fazia tarde, mas finalmente chegava a hora mais esperada da noite, a hora dos Migos. As pessoas iam se juntando à frente do palco num compasso certo como se estivessem numa procissão, uns cantarolavam alguns versos e outros apenas riam, sentia-se a boa vibração no ar. E nessa pequena confusão própria do Super Bock Super Rock, a BANTUMEN deu de caras com Virgul. E qual a melhor altura para falar com o cantor se não for entre música e bom ambiente? Então assim o fizemos.

Numa parte mais resguardada do festival, na zona da imprensa, trocamos dois dedos de conversa com um membro dos Da Weasel, que está neste momento na fase final do seu novo álbum. E claramente que uma das questões que foram feitas foi: “quem vieste ver, Virgul?”

“Vim aqui curtir. Só pude vir hoje. Estou na fase final do meu álbum, tenho estado quase todos os dias em estúdio. Precisava daquele tempo para refrescar a cabeça e ouvir outras coisas como Masego, Janelle Monáe, entre outros” respondeu.

Foto: BANTUMEN / Virgul x Wilds Gomes / SBSR19
Foto: BANTUMEN / Virgul x Wilds Gomes / SBSR19

A conversa não fugiu muito do tema principal: música. O último álbum do cantor teve um feedback positivo, que o deixou num patamar diferente na carreira, após alguns anos sem cantar. Saber Aceitar balançava muito entre o pop, R&B com uma mistura de reggae e reggaeton, e o cantor confessou que este novo álbum terá a mesma energia.

“O meu novo álbum vai ter uma energia e entrega como nunca, acho que a maturidade traz isso, traz certezas daquilo que realmente tu queres e daquilo que não queres. Estou a curtir bué. Não estou preocupado, pela primeira vez não tenho aquela pressão do disco e a pensar já no resultado. Mas muitas das vezes é inevitável não pensar no que o público vai pensar, como é que vai ser e como é que o público vai aceitar.”

Há artistas que afirmam que muitas vezes a preocupação intensa sobre o que o outro [público] vai pensar torna o processo do trabalho demorado e abaixo do que se podia esperar, e é disso que Virgul fala estar desprendido. Está numa fase em que apenas “curte” a produção do álbum, a nova vibe , o sangue novo que os “putos novos” têm trazido e colaboração que têm dado para o álbum. “Muitos deles não tinham nascido quando iniciei a minha carreira e estão a produzir comigo hoje. É bué fixe sentir esse sangue novo, não ser aquele velho ranzinza e saber acrescentar o que eles têm para dar e aprender com eles. Espero que o álbum seja bem recebido”.

Relembramos ainda que podes ver ao vivo e a cores os Da Weasel no Nos Alive em 2020. E de acordo com Virgul “será um concerto cheio de energia como os da Weasel sempre foram. Será um concerto exclusivo e estamos completamente focados nisso.”