O MC rapper brasileiro Rincon Sapiência, que atuou no Festival Músicas do Mundo, em Sines, Portugal, promete “continuar resistindo”, mas admite que “vai ter que ter um pouco de paciência”, para ver uma mudança no Brasil.

“A gente vai continuar resistindo, continuar fazendo o que a gente gosta de fazer, acreditando que as coisas possam mudar”, disse, em entrevista à Lusa.

“Infelizmente, vai ter que ter um pouco de paciência para acontecer essa mudança”, prevê Rincon Sapiência, reconhecendo que, ainda que se tenham usado “várias vias questionáveis”, o que está acontecendo no Brasil “aconteceu de uma forma democrática”.

Porém, acredita, “parte do povo brasileiro desconhece a escolha que fez”. Mas é preciso tempo “para as pessoas entenderem o que escolheram, o caminho por que optaram seguir”, realça.

“É uma situação, para quem trabalha com arte principalmente, que se torna uma situação adversa. No meu caso, preto, tenho origem na periferia [de São Paulo], tenho uma série de outras questões que me deixam em desvantagem”, autorretrata.

Por outro lado, sempre foi assim, como uma espécie de “praxe”. “Sempre teve que ser melhor, sempre tivemos que fazer duas, três vezes mais, sempre tivemos que resistir muito”, recorda.

Hoje, o acesso à informação retirou “o pensamento do bairro”, para o tornar global. “Tudo o que a gente compõe, tudo o que a gente faz é pensando no mundo. Vivemos um momento em que não só o rap, mas a arte, tem tido uma perspetiva mais global”, reflete o músico.