Existe uma ideia pré-concebida e errada de que em África apenas o que está perto do mar, é bonito, e é onde se encontram as paisagens mais pitorescas.

Lembremos que África é o terceiro continente mais extenso depois da Ásia e da América, a sua dimensão cobre 20,3% da área total da terra firme do planeta, com mais de 30 milhões de quilómetros quadrados. É o segundo continente com um número alargado de populações na Terra, com cerca de um bilhão de pessoas, que representa e um sétimo da população mundial, e 54 países independentes.

Tudo isto apenas para dizer que: em África existe muito por onde explorar, longe dos litorais. E uma das belezas que podem ser vistas é num país da África Ocidental, Burkina Faso, perto da fronteira com o Gana, onde existe uma aldeia de 1,2 hectares chamada Tiébélé.

Casas de Arte de Tiébélé- Burkina Faso / Foto: Rita Willaert
Casas de Arte de Tiébélé- Burkina Faso / Foto: Rita Willaert

Nesta aldeia reside o povo Kassena, um dos grupos étnicos mais antigos que se estabeleceram no território de Burkina Faso no século XV. Tiébélé é conhecida pelas cores das casas, as paredes detalhadamente decoradas e a extraordinária arquitetura tradicional Gourounsi.

Apesar da pobreza que se faz sentir no país, o povo em si é culturamente rico. E parte dessa cultura é proviniente das artes, como a decoração das paredes das suas casas, uma parte importante da herença cultural que foi passando de geração em geração, mais precisamente na aldeia de Tiébélé, feito de forma comunitária pelas mulheres.

As casas são construídas inteiramente com materiais locais como: terra, madeira e palha. Mistura-se terra, palha e estrume de vaca até ficar num estado “plástico” para moldar as superfícies. Com o passar dos anos, as técnicas foram-se alterando. Hoje as casas são construídas com tijolos e ajuda de barro.

Casas de Arte de Tiébélé- Burkina Faso / Foto: Rita Willaert
Casas de Arte de Tiébélé- Burkina Faso / Foto: Rita Willaert

Tradicionalmente e culturamente, as casas de Tiébélé são construídas dessa forma artística para proteção, contra o clima seco e os potenciais inimigos. As paredes têm mais de 30 centímetros de espessura e as casas não têm janelas, exceto pequenas aberturas para permitir que a luz entre e seja suficiente para ver.

Já as portas frontais têm dois metros de altura para evitar que entre muito sol dentro de casa e que impeça ou dificulte a entrada dos inimigos. Os telhados são protegidos com escadas de madeira que são fácil de recolher e cerveja local (dolo), fabricada em casa.

A maior parte das casa são coloridas com lama e giz, que contam nas suas pinturas a história da cultura antepassada da tribo. As ilustrações podem significar qualquer coisa, desde objetos usados na vida quotidiana baseado na religião e crenças, até padrões decorativos que distinguem uma casa da outra.

Casas de Arte de Tiébélé- Burkina Faso / Foto: Rita Willaert
Casas de Arte de Tiébélé- Burkina Faso / Foto: Rita Willaert

Muitos dos materiais usados junto às pequenas aberturas da casa, estão localizadas mais perto do solo para ajudar nas temperaturas mais altas. Apesar das visitas turísticas e a ideia de desenvolver o local como destino de turismo cultural para gerar recursos económicos, a aldeia mantém-se isolada a pessoas que venham de fora, para garantir a conservação das construções e estruturas e também para proteger as tardições locais.

A aldeia foge completamente aos padrões de como deve ser uma residência real na África Ocidental, com palácios reais. Mas em Tiébélé, o Cour Royale é composto por uma série de pequenas estruturas de tijolo, palha e terra, numa casa colorida com tintas de barro natural e padrões geométricos para diferenciá-las das casas das pessoas comuns.

Parte da arte é simbólica, com os seus credos, mas outra grande parte da arte é puramente decorativa, resultado da tradição cultural do povo de Kassena.