Rincon Sapiência acaba de lançar o single inédito “Mundo Manicongo”, com exclusividade no canal Colors Studios, o famoso canal alemão com 3,5 milhões de subscritores no YouTube.

Na faixa, que chega acompanhada pelo videoclipe da versão ao vivo, o Manicongo – como o artista também é conhecido – destaca-se a musicalidade de vertentes da música pop contemporânea africana. Gravada numa sessão de estúdio na Alemanha, a música integrará o segundo álbum do artista, com lançamento previsto para o fim do ano.

Em “Mundo Manicongo”, Rincon Sapiência expressa a sua evolução musical como rapper e produtor ao explorar novas sonoridades e narrativas. A base traz influências do afrobeat e dos seus sub-géneros, como o afrohouse, produzida pelo guineense MazBeats e retrabalhadas por Rincon com arranjos próprios.

O resultado dessa coprodução entre Brasil e África explora a psicodelia e envereda por lados hipnotizantes, com distorções e drops potentes que dão ao som uma pegada mais eletronica.

O artista investe numa musicalidade com roupagem moderna e alinhada à cultura de periferia. Apesar disso, engana-se quem imagina que se trata de música feita eletronicamente. A organicidade sonora é trazida pelo violão de Breno Laureano, pela guitarra de Robson Heloyn e pela voz de Nanny Soul.

Dois anos depois do aclamado Galanga Livre (2017), Rincon Sapiência tem vivido um momento da sua carreira no qual a liberdade artística é um ponto-chave. A convite do projeto COLORS, sediado em Berlim, o rapper e produtor apresenta o caminho que tem trilhado noseu novo trabalho. O artista figura como o primeiro rapper brasileiro a integrar a série de shows, conhecida pela estética minimalista que privilegia a performance ao vivo. Por lá, já passaram nomes internacionais de destaque como Jorja Smith, Koba LaD, Ari Lennox, Kali Uchis, IAMDDB, e mais recentemente as brasileiras Luedji Luna, e  Xênia França.

O figurino que se destaca no cenário merece uma história à parte e acentua a fama de “rimador mais elegante” do artista. “Pra ter o meu mundo, tinha que ter roupas feitas especificamente pra mim. Então nada mais especial que cantar na gravação com uma roupa feita pela minha mãe, que sempre me vestiu. Eu quis trazer essa referência, de quem me levou pro universo da moda e me fez gostar disso. É muito louco, eu sempre falei que ela é costureira, mas vou começar a dizer que a minha mãe é estilista, porque eu tenho essa honra de ser filho de uma grande artista da moda”, diz Rincon sobre Dona Ivani.

A letra põe o ouvinte no dilema resumido como lei no “Mundo Manicongo”, onde existem apenas duas opções: dançar ou dançar. Com isso, a ordem do dia dada por Rincon reflete a vocação do artista para renovar seus caminhos criativos sem receios e a sua maneira. Como ele mesmo defende, em um período em que se adentra tanto na pauta política e social, é urgente reivindicar o nosso direito de amar, contexto em que a música se torna ferramenta para isso.