O gigante da cinematografia brasileira Wagner Moura estreia-se este ano como diretor com o filme Marigehlla, que acaba de ganhar o seu primeiro trailer.

A longa-metragem foi elogiada no Festival de Berlim, onde fez a sua estreia mundial em fevereiro.

Em cartaz a partir de 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) nos cinemas brasileiros, Marigehlla é uma cinebiografia do guerrilheiro brasileiro, papel interpretado por Seu Jorge. O filme causou polémica no Brasil por causa do seu teor político.

“É claro que é provavelmente um dos primeiros produtos culturais que abertamente vai contra o que o Bolsonaro representa”, admitiu Moura á imprensa internacional, observando que o presidente de direita Jair Bolsonaro havia “denegrido” o seu filme antes mesmo de assumir o cargo.

Mas o realizador disse que não quer que seu filme, que conta como a polícia secreta perseguia, espancava e torturava os revolucionários em torno de Marighella, seja considerado uma “resposta” direta a Bolsonaro. O filme relata as consequências do golpe militar de 1964, que tentaram retratar como resultado de uma revolta popular. Usando a ameaça comunista como pretexto, o novo regime travou uma repressão vasta e brutal contra dissidentes e meios de comunicação críticos, com o apoio do governo dos EUA.

Com a participação de outros grandes actores brasileiros como Bruno Gagliasso, Humberto Carrão e Adriana Esteves, Marighella conta a história dos últimos anos de Carlos Marighella, guerrilheiro que liderou um dos maiores movimentos de resistência contra a ditadura militar no Brasil, na década de 1960. O roteiro foi escrito por Wagner Moura e Felipe Braga, a partir da biografia do jornalista Mário Magalhães lançada em 2012.