As autoridades sanitárias congolesas anunciaram a cura de duas pessoas infetadas com o vírus do Ébola após 11 dias de tratamento em Goma, leste da República Democrática do Congo, numa prova da eficácia de novos medicamentos. E tudo graças a um homem, Jean-Jacques Muyembe, e à sua equipa médica.

O coordenador da resposta contra o vírus na RDC, Jean-Jacques Muyembe, afirmou que “é com grande alegria que anunciamos que, entre os casos confirmados de Ébola em Goma, dois foram curados. Para nós é uma mensagem forte de que o Ébola é curável. Já há tratamento”.

De acordo com o especialista congolês e pioneiro na luta contra o vírus, estão ainda em estudo “dois tratamentos, o mAb114 e o REGN-EB38. São duas moléculas que iremos utilizar com base nos resultados que obtivemos até agora, que se revelaram eficazes”.

As autoridades sanitárias norte-americanas, que cofinanciaram um estudo sobre o tratamento do vírus, indicaram na segunda-feira que os dois medicamentos aumentaram significativamente a taxa de sobrevivência de pacientes no quadro de um ensaio clínico na RDC.

De acordo com a agência de notícias, Lusa, entre as cerca de 500 pessoas cujos dados foram analisados (de um total de 681 pacientes), a mortalidade caiu 29% com o REGN-EB e em 34% com o mAb114, especificou Anthony Fauci, diretor do Instituto norte-americano para as Doenças Infecciosas e Alergias. A taxa de mortalidade dos pacientes que não receberam quaisquer tratamentos foi de entre 60 e 67%.

Os dois tratamentos são constituídos por anticorpos monoclonais que intervêm na neutralização da capacidade do vírus infetar outras células. Desde que a epidemia do vírus foi declarada no país, em 01 de agosto de 2018, já foram vacinadas 181.389 pessoas.

O Ébola transmite-se pelo contacto com fluidos corporais infetados e a rapidez do tratamento é determinante para as possibilidades de sobrevivência, mas muitas pessoas não acreditam que o vírus é real e optam por ficar em casa quando estão doentes, infetando quem cuida deles, alertam os profissionais de saúde.