Nuno Pontas faz parte da última geração do século passado. Nasceu a 31 de julho de 1999 no Augusto Ngangula, maternidade da capital angolana.

Atualmente, vive na zona do Patrionta depois de ter residido até aos sete anos no mesmo bairro que o conhecido rapper Abdiel Abdizzy, Maculusso.

Pontas é o segundo de cinco filhos que cresceu com os pais e os irmãos e considera-se uma pessoa educada, dedicada e focada nos seus objetivos, com base nos valores que lhe foram passados desde pequeno.

Começou a interessar-se pelo movimento aos 15 anos, enquanto frequentava o ensino secundário num dos colégio privados em Angola, perto da sua residência. No caminho que fazia diariamente da escola para casa, entretia-se a fazer freestyle com os colegas. Foi a partir daí que percebeu que tinha jeito para a música.

A sua primeira faixa foi gravada num estúdio de um amigo no Kilamba, arredores de Luanda. O local estava a abarrotar de gente e a vergonha de ter de gravar, sem experiência e com aquela audiência, foi um barreira difícil de ultrapassar.

Fechei os olhos e disse
Eu consigo fazer esse mambo
Peguei no mic gravei

E assim saiu a primeira faixa que lançou oficialmente. A música foi muito bem recebida e deu-lhe motivação para continuar.

Então eu vi que se continuasse podia colher bons frutos com a música.

O que mais o atrai no movimento hip hop é a liberdade de expressão, que permite exprimir tudo aquilo que sente sem limites, sem precisar de dar muitas voltas, “papo reto”. E também identifica-se muito com a forma de vestir, falar ou pensar como explicou o rapper.

Se quiseres ofender, podes ofender, se quiseres beefar, podes beefar, responder, etc.

O primeiro trabalho discográfico de Nuno Pontas é o EP Novo Desiigner lançada em agosto de 2017. Para este ano, está previsto lançar o segundo volume.

Um dos momentos mais altos da jovem carreia do rapper de 19 anos foi a entra na pequena label B-ünik, que já destacamos noutros artigos aqui na BANTUMEN.

Pontas também destaca a Trono, que é onde começou a fazer as primeiras faixas.

Quanto à B-ünik, já a considera a sua nova família, cujos laços espera perdurarem.

Aprendo muito com eles todos dias, em todos os sentidos e é com eles que pretendo alcançar todos os meus objetivos.

Antes de entrar para a B-ünik, lançou em colaboração com Uami Ndongadas a música “Taraxo do Apurato”.

A música tem mais de 120 mil reproduções no Soundcloud e rendeu aos dois artistas muitas atuações juntos em Angola.

Com a necessidade de continuarem a trabalhar juntos, surgiu a ideia de entrar para a B-ünik, a qual o rapper já respeitava na altura devido à forma de trabalharem e, acima de tudo, por serem “nigas reais”.

Os artistas da B-Ünik na opinião sincera do rapper são os melhores da nova geração.

Nesse momento só estamos à espera que a nossa hora chegue, porque o talento é muito.

Hallowen, NGA, Prodígio e o rapper da Wet Bed Gang G-son são as suas referências lusófonas. No plano internacional, passa pelo canadiano Drake, a banda de Lawrenceville, na Geórgia, EUA os Migos, e os os nova-iorquinos Desiigner e Jay-z.

Tem visto o rap nos últimos anos em Angola muito melhor, e até agradece tanto crédito que se tem atribuído à nova geração.

O rap está na mesma dimensão que outros estilos dominantes em Angola, por isto devemos manter-nos unidos e focados em somar sempre mais pela cultura angolana.

Defende que Angola é o país do Semba, Kizomba e Kuduro mas que, hoje, já se consegue ver rappers a venderem discos e a fazerem shows com grandes audiências.

Contudo, Nuno explicou que o movimento em Angola ainda não tem o espaço que deveria ter na lusofonia, devido à diferença de mercados.