Heliécio Ricardo Firmino da Silva, que em cima dos palcos se apresenta como Deksz James, é um dos fundadores de um dos maiores grupos de rap angolano da actualidade, os Mobbers.

O jovem nasceu a 18 de junho de 1996 em Luanda, mas aos seis anos de idade foi viver para o Reino Unido com os pais.

O seu primeiro contacto com a música aconteceu por meio da área de produção. Apesar de gostar e se destacar na área, Deskz sentiu a necessidade de usar o microfone para despejar todas as suas emoções. A primeira faixa foi gravada em 2010, no escritório da sua casa, e a sua maior fonte de motivação foi o rapper norte-americano Jay Z. Deksz usou um instrumental utilizado pela super estrela.

Nove anos depois, a música continua a fazer parte da sua vida e nessa trajectória encontramos quatro mixtapes, Blacktape2, com Xuxu Bower, Leões, Sombrv e Pxder, e as participações com artistas de renome do mercado musical angolano são várias.

“Acho que todo o mundo com quem trabalhei ajudou-me a chegar onde estou, então todos são importantes duma certa forma, até quem não quer me ver a ganhar”, disse-nos o rapper.

Por crescer numa comunidade de língua inglesa Deksz tem acompanhado muito pouco o game lusófono, mas há artistas como Força Suprema, Profjam e Plutonio que despertam a sua atenção. Contudo, as suas maiores inspirações são o inglês Stormzy e os norte-americanos Meek Mill e A Boogie Wit Da Hoodie.

“O movimento está a crescer e a mudar todos dias, estou a gostar do trabalho dos putos que estão a vir. Estão a vir com força e precisamos disso.”

Deskz encontra-se neste momento em Lisboa com o seu grupo a trabalhar em vários projetos e aproveitou para comparar o rap tuga com o angolano. “O rap tuga tem muitas plataformas e formas de fazer uma campanha para promover uma música. Todo o mundo tem acesso à Internet! Infelizmente não é esse o caso em Angola por exemplo.”

E nesse mercado cada vez mais competitivo, Deksz indica não encontrar concorrência. “Não acho que tenho concorrência, estou satisfeito com o que tenho e se for para competir vou competir sempre comigo e tentar evoluir como cantor”.

Sobre o que tem ouvido na lusofonia a sua seleção é quase exclusiva a Plutonio, Phoenix RDC e Força Suprema. “Também gosto do material do Brasil, artistas como Baco Exu do Blues, Gabriel O Pensador, o Coletivo um kilo e nunca ouvi rap de Moçambique infelizmente.”

O rap é o novo Rock N’ Roll e os jovens querem a vibe. O trabalho que vem por trás de fazer a música para as pessoas vibrarem é que determina o sucesso e hoje em dia, nós rappers, estamos a investir mais tempo nas nossas músicas! Hardwork e mais nada.

O seu último EP foi disponibilizado recentemente. “Quis fazer algo pesado e escuro para os meus ouvintes, quis trazer um sound novo com flows novos. Também quis dar conselhos aos meus ouvintes, se ouvires as 6 músicas do meu novo projeto, irás ver que tem um conselho em cada música e essa foi a razão do título, ‘Pxder’. Como artistas temos a responsabilidade de passar uma mensagem ao ouvinte; algo que só alguém no poder é capaz de fazer.”

Sobre as suas parcerias, explica-nos que as escolhe a dedo. “Quando canto com alguém é porque essa pessoa passou todos os testes. Primeiro como pessoa, depois como artista e por último como parceiro. Sou muito seletivo com quem canto, tenho que sentir mesmo a pessoa.”

Sobre os Mobbers, Deskz revelou que já têm um trabalho pronto para 2020 e já estão a preparar 2021, que vai contar com participações nacionais e internacionais.