Igor de Carvalho é Aifos. É filho de um dos grandes nomes da música angolana mas o seu caminho trilha-o sozinho. Faz parte da produtora B-ünik e a sua dedicação à música promete leva-lo longe. Com novo EP à vista, traçamos o perfil do artista.

Qual é o teu nome de registo, quando e onde nasceste?

Igor Costa Pinto de Carvalho aka Aifos. Nasci a 26 agosto 1996, em Lisboa.

Fala-nos um pouco sobre a tua infância?

Cresci em Luanda, criado sempre com muito carinho, educação e inserido no meio da música. Depois de 18 anos a viver em Angola, conheci pessoas incríveis e muito talentosas, liguei-me a uma cultura fantástica e hoje posso dizer que me sinto angolano de raiz.

Quais foram os teus primeiros passos na música?

Comecei com a música em primeiro lugar por influência do meu pai [Nelo de Carvalho]. Desde pequeno que me convidava para subir no palco durante as suas atuações e mesmo a minha mãe sempre me incentivou e puxou por esse meu lado. À medida que fui crescendo, fui  criando o meu próprio caminho no mundo da música.

Como surgiu a primeira música?

A minha primeira música, e a melhor construída a meu ver, foi “Baby Boo”, que faz parte do meu primeiro EP, Never Too Late. Tive a ajuda do meu produtor KBK na parte do arranjo geral da música e também do meu grupo B-ünik, no que toca à capa desse mesmo projeto. A nível de primeira composição, lembro-me como se fosse ontem, a música chama-se “1000 formas de te amar”. Hoje olho para ela com orgulho por conseguir ver a evolução e mesmo como primeira música fico muito satisfeito com a lírica.

O que te atrai nesse mundo?

O que me atraiu na música foi sem dúvida tudo aquilo que ela me transmite. Desde felicidade, ao amor à magoa.. Há ainda as diversas culturas que se podem encontrar no mundo da música, mas acima de tudo, o facto de saber que posso fazer a minha vida profissional em torno disso. É algo que realmente me dá prazer e faço sem qualquer esforço.

Com quem é que já tiveste a oportunidade de trabalhar?

Já tive a oportunidade de estar em estúdio com grandes artistas, com quem pude aprender e partilhar muitas experiências. Tive o prazer de trabalhar com o Slim Boy e o Eric Rodrigues no projeto “Beira Mar”, com o Emana Cheezy agora para o novo EP, com o Uami Ndongadas, um projeto que ainda está a ser trabalhado e com o D3GVS que descobri ter também bastante talento em várias áreas.

Quais são as tuas influências musicais?

As minhas influências na música feita em português.. Não posso deixar de mencionar o meu pai, Nelo De Carvalho. Em primeiro lugar pelo seu talento, mas acima de tudo pela persistência, capacidade de superação e o facto de se conseguir adaptar também à nova geração da música. Aprecio também bastante o Anselmo Ralph por todo o seu trabalho e repertório e por fim, o Gson, por ser um músico realmente completo com muito talento.

New school vs old school?

A meu ver, o rap feito hoje em dia é obviamente diferente do rap de há uns anos, mas isso não o torna melhor ou pior. Como tudo na vida, o rap evoluiu, e hoje existe para todos os gostos. Desde o mais lírico, ao mais “flow”, como alguns traps. E, pessoalmente, admiro bastante essa evolução.

Como aconteceu a entrada na B-ünik?

Entrei na B-ünik quando o D3GVS me apresentou o projeto, há cerca de quatro anos. Percebi logo o potencial e talento do grupo como um todo e também já conhecia alguns dos integrantes, o que favorecia ainda mais a minha conexão com os membros do grupo. Foi uma grande oportunidade para mim e para o desenrolar da minha carreira. No meu estilo musical predominava o  R&B, apesar de também conseguir ser versátil, e penso que isso foi uma mais valia para a B-ünik.

O que podemos esperar do teu próximo trabalho?

O novo EP está repleto de novidades e músicas para todos os gostos. Dia 22 vão poder comprovar por vocês próprios. Felizmente consegui trabalhar apenas com pessoas próximas, profissionais e, acima de tudo, muito talentosas. Isso é algo que não se compra e acredito que tenha potencializado bastante este trabalho.

Aifos
Aifos | Foto: Bruno Dilage

Qual é o título e as participações?

O título é Sofia, o nome da minha mãe. Dei esse nome ao EP para que os meus ouvintes compreendam o porquê do meu nome artístico ser Aifos. Contámos com as participações de artistas talentosos como Emana Cheezy, Riccow, Jay Monsta, Mad Marcus, Kev, Nai B e KBK a nível vocal e toda a produção também feita pelo meu produtor KBK. A nível dos beats, a grande maioria foi feita pelo Zuss.

Fala-nos da tua música favorita nesse EP.

Não consigo definir uma faixa mais importante, pois grande parte do trabalho foi tentar ao máximo equilibrar as faixas para ser um projeto sólido. No entanto, saliento duas músicas que gosto bastante “Amor Moderno” e “Number 1” .

O que nos trazes de diferente em Sofia?

Penso que o que realmente difere neste projeto é o facto de não termos tido pressa, termos dado o tempo necessário a cada faixa, cada processo de edição, a cada ideia nova que foi surgindo e de termos tido diversas opiniões que contribuíram  para que chegássemos ao patamar desejado.

Este EP é um projeto independente. Foi algo mais pessoal, levou o seu tempo. Queria potencializar ao máximo as minhas capacidades e precisei de bastante apoio, desde o processo dos beats , até aos dias de gravação. Desde amigos até  +colegas de trabalho, recebi o apoio necessário de forma a fazer um projeto meu. Depois, a prioridade volta para os projetos da B-ünik.

O que pretendes com a tua música?

Neste momento, o que mais importa na minha carreira é ser ouvido. Por vezes, o mais difícil para um artista é fazer chegar a sua música aos ouvidos de “toda a gente”. Penso que este projeto tem a consistência e a qualidade para me levar mais longe e me fazer chegar onde pretendo no mundo da música.

O que realmente valem os números?

A questão dos números, hoje em dia, pode ser interpretada de diversas maneiras. Há quem goste de certos artistas com números e há quem não. Sem dúvida, a partir de um certo número de reproduções, ainda que não gostemos, é sinónimo de que esse artista está a ter sucesso. No entanto, existem muitos artistas extremamente talentosos que simplesmente não têm a visibilidade merecida, os chamados underrated. Com esforço, talento e a ajuda necessária, é possível potencializarmos esse aumento de números e passar para outro patamar.