O escritor moçambicano Mia Couto recebe na sexta-feira o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB), na capital do Brasil, revelou à agência Lusa a assessoria de comunicação da instituição de ensino.

Antes de ser agraciado com aquela distinção, Mia Couto dará uma palestra aos alunos, encerrando a semana universitária da UnB, que terá como tema “Encontros que transformam”. 

A Universidade de Brasília já concedeu o título de Doutor Honoris Causa a 56 personalidades, entre elas o antigo primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso, em 2014, e o Nobel da Literatura português, José Saramago, em 1997.

Na próxima quarta-feira, antes de ser reconhecido pela UnB, Mia Couto vai estar no auditório Camões, na Embaixada de Portugal em Brasília, para uma conversa com o ator Guilherme Reis.

Na semana passada, na sua passagem pelo Brasil, Mia Couto participou num encontro com alunos e professores, no Estado de São Paulo, onde falou sobre a sua trajetória como escritor e também sobre as suas obras.

O autor foi o convidado da edição especial do Programa Educativo Escola, Museu e Território, do Museu da Língua Portuguesa, e do Programa Prazer em Ler, do instituto Itaú Social.

Autor de mais de 30 livros, Mia Couto vai publicar um novo título, em outubro, “O Universo num Grão de Areia”, coletânea de “textos de intervenção cívica”, que recolhe textos publicados em diversos meios de comunicação social e escritos para diferentes audiências e situações, abordando “temas que vão da política à literatura e da cultura à antropologia e biologia”, anunciou a editorial Caminho, do Grupo Leya, na semana passada.

A publicação de “O Universo num Grão de Areia” acontece cerca de um mês após o aparecimento de “O Terrorista Elegante”, na Quetzal Editores, do grupo Bertrand, que reúne o escritor moçambicano ao angolano José Eduardo Agualusa, em três novelas curtas, “cheias de humor e ‘suspense'”.

Mia Couto, nascido em Moçambique em 1955, tem publicada obra em poesia, conto, crónica e romance.

Prémio Camões em 2013, é autor, entre outros, de “Jerusalém”, “O Último Voo do Flamingo”, “Vozes Anoitecidas”, “Estórias Abensonhadas”, “A Varanda do Frangipani”, “A Confissão da Leoa” e “Terra Sonâmbula”, que marcou a sua estreia no romance, em 1992, tendo sido eleito “um dos 12 melhores livros africanos do século XX”, pela Feira Internacional do Livro do Zimbabué.

Para os mais novos escreveu títulos como “A Chuva Pasmada”, “O Outro Pé da Sereia” e “A Água e a Águia”.

O mais recente romance de Mia Couto é “O Bebedor de Horizontes”, de 2017, terceiro volume da trilogia “As Areias do Imperador”, que sucedeu a “Mulheres de Cinza” (2015) e “A Espada e a Azagaia” (2016).

No final do ano passado, estreou a peça de teatro “Netos de Gungunhana”, com a companhia portuguesa O Bando.

Além do Prémio Camões, Mia Couto recebeu, entre outros, o Prémio Eduardo Lourenço, em 2011, o Prémio União Latina de Literaturas Românicas, em 2007, e o Prémio Vergílio Ferreira, em 1999, atribuídos pelo conjunto da sua obra.