Primeira mulher negra na história do Festival de Cannes a competir para os famosos prémios de cinema deste ano, a diretora franco-senegalesa Mati Diop acaba de apresentar a longa-metragem Atlantic, nesta quarta-feira, 2. Os direitos de transmissão internacionais foram adquiridos pela Netflix.

O filme retrata o drama em que os migrantes que desapareceram no mar, em busca de um futuro, “assombram” aqueles que deixaram para trás.

Quando ouvimos a palavra migrante, hoje em dia, vem-nos à imagem as frágeis embarcações, tidas como a derradeira oportunidade para alcançar uma vida melhor do outro lado do mar ou oceano, e os testemunhos esmagadores desses exilados ao chegarem em solo espanhol, italiano, grego ou francês. Mas o que acontece com aqueles que estes deixaram para trás, aqueles que permaneceram no ponto de partida da sua jornada muitas vezes fatal?

É essa perspetiva que nos oferece Atlantic, que é na verdade uma extensão de uma curta-metragem com o mesmo nome (mas plural) que se seguiu à travessia de um jovem senegalês. Desta vez a câmera do diretor permaneceudao lado daqueles que devem continuar a viver após a partida dos seus entes queridos.

Nos subúrbios de Dakar, Suleiman e outros trabalhadores de um estaleiro que não recebem os seus salários há quatro meses, montam a bordo de um barco rumo a Espanha, na esperança de uma vida melhor. Porém, após a partida, uma febre estranha contamina as mulheres das suas famílias, que permaneceram no Senegal e um incêndio inexplicável interrompe o casamento arranjado (e forçado) de Ada, apaixonada de Suleiman.