O produtor de 28 anos que assina Elzo Sénior é da província angolana do Namibe, cresceu no Bairro Torre do Tombo, junto do seu irmão, primos e amigos.

É formado em Engenharia Informática e, além da produção musical, trabalha como técnico e gestor informático e como professor de produção musical.

“Dou tudo de mim a cada trabalho que faço

O nome artítico Elzo Sénior surge quando, na hora de escolher o nome como produtor, Elzo Pitra, o seu nome verdadeiro, soava demasiado formal. “Júnior, que era outra escolha, era muito “pequeno” para mim, daí escolhi Sénior”. Elzio Beats também podia ter sido uma opção “mas é demasiado comum. Queria um nome fácil e atrativo”.

As primeiras produções aconteceram dentro do estilo kuduro, orientado pelo seu amigo Sealtiel Ricardo “RicArts”. Começou por criar na versão 5 do FL Studio que, na altura, tinha quase dez anos de atraso em relação à versão mais recente do programa.

Enquanto procurava conhecimento, “algumas pessoas não queriam que eu fizesse o mesmo que eles faziam. Notava-se na expressão facial e na negação quando eu pedia para me ensinarem o que sabiam. Parecia que eles já sabiam que eu iria ser bom nisto.”

Desde que teve contacto com o FL Studio, quase todos os dias eram de produção. “Quando não havia computador disponível em casa usava o de amigos e vizinhos. Passava as tardes todas e uma parte da noite a produzir. Porque eu dou tudo de mim a cada trabalho que faço”.

Em 2015, participou na batalha de beat makers BeatDown, com a motivação de expor o seu trabalho e alcançar mais público e competir de igual para igual com os produtores da capital angolana, chegando assim aos grandes nomes da música nacional e não só.

Apesar de, atualmente, ter apenas o universo hip-hop como base, Elzo considera-se um produtor versátil.

Elzo Sénior
DR

Tem mantido o seu foco em ser bom no que faz e ser criativo o máximo possível para poder deixar a sua marca no mundo da música.

“Eu tento ser o mais profissional possível com cada pessoa com quem trabalho. Penso em mim, não só no artista. Digo sempre que o que está em jogo é o meu nome e o meu trabalho. O mesmo instrumental que vou mostrar a um músico com expressão será o mesmo que vou mostrar a um sem expressão. Nunca sabemos quando uma música vai ser hit. E se isso acontecer, quero estar orgulhoso do meu feito”.

Se quando começou não podia estar a par dos equipamentos e sotfwares de primeira linha, hoje não pode dizer o mesmo. Continua a produzir em FL Studio mas na versão mais recente e tem explorado Studio One 4. Usa um computador da HP ProBook 640 i5 e o X6 Pro da MidiPlus como teclado e uns fones da Pioneer.

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Contudo, Elzio sabe que a magia da boa produção está no produtor e não no equipamento ou sistema operativo que usa. Tem explorado alguns controladores do género Akai MPC mas por enquanto está mais centrado na produção digital.

No BeatDown, que serviu de trampolim para a sua jovem carreira, Elzo Sénior conheceu Damani Van Dunem. Os artistas acabaram por trabalhar em vários projetos até surgir o convite para ser o produtor da Swahili.

“Muitos artistas ainda não valorizam os trabalhos dos produtores

Depois de ter trabalhado no álbum #BluRay: Quid Pro Quo de Damani, lançado em 2018, além de ter ganho um bom dinheiro, a repercussão do álbum ampliou a sua carteira de contactos com artistas famosos do panormama musical angolano que nunca pensou que um dia procurariam os seus serviços.

Apesar de já ter produzido para Dji Tafinha, Ready Neutro, Damani Van Dunem e Francis Mc Cabinda, o que confirma a sua entrada no “campeonato” em que sempre quis “jogar”, Elzio continua disponível para trabalhar com todos os escalões, entre anónimos e famosos.

Contudo, o produtor explica que existe uma certa distância entre a sua produção e os rappers da nova escola. “Talvez porque nunca tive a chance de ser ouvido e estar pessoalmente com a maioria deles. Aqueles com quem tive contacto gostaram da produção mas não queriam pagar. Muitos artistas ainda não valorizam os trabalhos dos produtores. Falo dos famosos das nova escola como os da velha também”, explicou à BANTUMEN.

Numa perspetiva lusófona, o artista explica que gostaria de trabalhar nos próximos tempos com artistas como Hernâni Da Silva, Toy Toy T-Rex, Hot Blaze, Prodigio, Projota, Richie Campell, Wet Bed Gang, Regula, Coreón Dú, Anselmo Ralph, Edmasia, White, Yola Semedo, Pérola. Quanto aos artistas mainstream a nível global, menciona os nomes de Wiz Kid, Nasty C, A.K.A, Mr. Eazi e Dua Lipa.

Para este ano, vamos poder ouvir os trabalhos de Elzio na mixtape Poeira No Alto Mar, de Ready Neutro, no EP Summer Vibez Vol.1: Cavalheiros do Inverno, de Dário Laurentino x Elzo Sénior, nos EPs 30&4, Até a Próxima de Joyce Hiperativo x Elzo Sénior e outros projetos que não quis divulgar por ainda não estarem confirmadas as respetivas datas de lançamento.