Aos 34 anos, Olivier Rousteing dirige a casa Balmain com mão de ferro. É a ele que devemos o retorno da marca como uma das mais influentes no mundo da moda. Esta história, nós e os seus 5,5 milhões de seguidores no Instagram, conhecemos de cor. O mesmo nao acontece sobre o fato de Rousteing procurar pelos seus pais biológicos.

O tema é o foco de um documentário intitulado “Wonder Boy”. Dirigido por Anissa Bonnefont, transmitido esta quarta-feira, 16, pelo francês Canal +, antes do lançamento nos cinemas, previsto para 27 de novembro.

Olivier Rousteing foi adotado por uma família de Bordeaux quando tinha um mês de idade. Desde então, avançou na vida sem nunca conhecer as suas origens e sem saber as razões desse abandono. Aos 16 anos, a procura da verdade começou a ser uma realidade. Entrou em contato com a Assistência Social para Crianças para ver o que estaria registado no seu arquivo. Mas em vão, o jovem Rousteing acabou por se ir embora sem procurar pelo documento.

O medo o impede de recomeçar o processo, até conhecer Anissa Bonnefont. Educada pela sua mãe biológica e o seu parceiro, a realizadora foi também abandonada pelo pai aos três anos de idade.

Entretanto, conseguiu convencer o amigo e designer a reviver a experiência e a deixar-se filmar. “O Olivier tem uma imagem muito forte na mídia. O que me interessou foi derrubar as máscaras entre dois mundos extremamente contrastantes. É a força do documentário que se encaixa há muito tempo que dá acesso a essa intimidade”.

Choro e gargalhadas, a aventura do criador à cabeça da Balmain é extenuante. O documentário é especialmente comovente e ilustra toda a emoção despertada pela pesquisa dos seus pais biológicos. Anissa Bonnefont admite que embora a sua experiência não tenha exigido mil telefonemas administrativos, “psicologicamente, é o mesmo processo”, explica ao HuffPost.

O choque da realidade

“Quando somos adotados, todos nos sentimos culpados por tentar encontrar os nossos pais biológicos”, explica. Mas não é de um pai que estamos à procura, é de uma aceitação de quem somos”.

A força deste filme é mostrar um personagem em evolução entre dois mundos radicalmente diferentes: de um lado a estrela da semana da moda de Paris e as redes sociais, que aumentou seis vezes a receita da Balmain, por outro lado, a criança adotada que navega pelos meandros da burocracia para obter o direito de consultar o escasso registro do seu nascimento. Esse caminho, que é o mesmo para todas as crianças privadas dessa informação, é tão assustador quanto necessário: “Enquanto eu não souber quem sou, não poderei me amar”, diz o designer.

É difícil conter as lágrimas quando vemos Olivier descobrir a verdade sobre a sua concepção. Na presença de um psicólogo do Cnaop (Conselho Nacional de Acesso a Origens Pessoais), que o acompanha na leitura do seu arquivo pessoal, o criador descobre que a sua mãe, de origem somali, tinha 15 anos na época do parto, e que o seu pai era um etíope de 25 anos. “Quinze, era tão jovem”, diz antes de chorar quando percebe que a sua mãe pode não ter consentido a relação sexual. “O que eu aprendi foi uma história triste, se fosse uma história de amor, ela teria falado sobre isso”, continua.

Se hoje Olivier Rousteing ainda não encontrou a progenitora (ela desejou que o segredo da sua identidade seja mantido por toda a vida), ele não perde a esperança. E deixa a porta aberta: “Este filme é uma maneira de dizer-lhe que estou bem”, explicou Rousteing. “E agradeço-lhe, em relação a todo o sofrimento que ela possa ter enfrentado … (…) Se ela quiser dar um passo em minha direção, para lhe agradecer pessoalmente, ficarei muito feliz”.

O filme “Wonder Boy” estreia no dia 27 de novembro nos cinemas franceses.