Já foram mais que muitas as vezes em que falámos aqui sobre Dino d’Santiago e a forma como o seu último álbum, Mundu Nôbu (2018), colocou debaixo dos holofotes uma “Nova Lisboa”, descendente da interseção das várias culturas que co-habitam na capital lusa. A obra tão aplaudida pela crítica e vencedora do prémio Melhor Álbum do Ano, nos PLAY, valeu agora ao autor um rasgado elogio do novo secretário de Estado do Cinema e Audiovisual e Média português, Nuno Artur Silva.

Entrevistado pela revista Visão, o também autor e argumentista revelou que “a melhor maneira de combater a turistificação é construir novas histórias”, aludindo ao turismo de massa que se verifica em Lisboa.

“No fundo, é fazer nova música. Por isso, o que a Madonna fez foi muito inteligente, ela juntou-se ao melhor da Lisboa de hoje. O guia dela não poderia ser mais português. O Dino D’Santiago é que devia ter feito o discurso do 10 de Junho. Um rapaz que veio de Quarteira, os pais estão em Cabo Verde, e ele chegou a Lisboa, juntou-se com músicos diversos, e fez um álbum com uma canção chamada “Nova Lisboa”. O Dino é o melhor exemplo do que é hoje Lisboa, para lá do turismo”, reforçou Nuno Artur Silva.

Questionado ainda sobre o facto de se sentir mais lisboeta que português, o político retorquiu: “O melhor dos portugueses é, passo o paradoxo, quando somos menos portugueses e mais do mundo. Podemos ser uns ótimos intermediários a juntar pessoas à mesma mesa, conseguimos conversar com África, com a América, com a Europa… Lisboa é uma das cidades mais interessantes do mundo por causa disso.”

Nuno Artur Silva é um dos fundadores da Produções Fictícias, uma das empresas mais importantes na área do humor em Portugal. Foi administrador e assessor criativo de direcção de programas da RTP desde fevereiro de 2015 a janeiro de 2018 e foi agora nomeado, pelo novo governo de António Costa, a secretário de Estado do Cinema e Audiovisual e Média.