Sotavento é o nome do novo EP de Dino d’Santiago que, depois de Mundu Nôbu, quer voltar a impactar com os seus ritmos culturamente ricos soberbamente colocados de cima de uma base sonora tradicional cabo-verdiana.

O lançamento aconteceu esta sexta feira, 25, e teve como cenário o Crack Kids Lisboa. Um espaço que representa a cultura urbana lisboeta e onde se encontravam à venda t-shirts, camisolas e sacos de pano com a frase em letras garrafais “FUNANA IS THE NEW FUNK”.

Artistas como Carlão, Loreta KBA, Carolina Deslandes, Pedro da linha e Progressivo estiveram presentes no evento, marcado por um ambiente familiar. Dino não necessitou de um palco para se fazer ouvir e todos tinham como foco conversar com ele sobre este novo pedaço de Cabo Verde.

Para Dino, este EP tem um significado mais profundo. É uma extensão de Mundo Nôbu, o Melhor Álbum português de 2018, como uma forma de celebração de todas as vitórias adquiridas com o mesmo.

Em conversa com a BANTUMEN, o artista explicou que com o trabalho anterior, “aproximamos-nos dos ritmos de Cabo Verde mas tinhas muitas outras misturas. Sentias a nuance do Zouk, do hip-hop, do R&B, toda essa mistura.”

Sotavento veio para marcar mais os ritmos do funaná da forma que muitos já conhecem, como o artista diz, “com o BPM a 160, rápido, para perceberem, ‘okay, li kê terra'”. A mensagem e o flow mantem-se igual, sempre com o objetivo de dar nova roupagem à musicalidade lusófona.

O EP foi gravado em Londres com a ajuda de um produtor de origem nigeriana, Nosa Apollo, que lhe foi apresentado por Kalaf Epalanga. As vibrações do funaná juntaram-se com um ” tempero de grime e a cena electrónica que se respira em Londres. E foi esse o casamento “que desta vez é um casamento mais real do que se faz no ocidente e do que se faz no nosso Sotavento.”

A fonte de inspiração para Sotavento veio de um lugar puro, veio da reação dos fãs ao ouvirem Dino a improvisar e a libertar o seu lado mais “terra” em palco.

Dino explica: “Eu disse assim, está tudo certo, faz e permite que eles possam ouvir. Eu nem sequer ia editá-lo. Foram temas que arranjei para tocar ao vivo e para acelarar o concerto. Para ter os momentos de batuque e funaná bem definidos. Felizmente, conseguimos editar em mode EP e estou feliz com a aposta.”

Já com planos para o futuro, o vencedor do Melhor Albúm, nos PLAY, tem como objetivo influenciar outros artistas a investirem no mesmo tipo de som e vibração. Não teme o que ainda há a desenvolver e vai continuar o caminho, sabendo que ainda tem “coladera, mazuka, morna tabanka, bandera e kizomba” para poder expandir a sua criatividade.

A nossa conversa terminou com um frase que define bem o seu trabalho: “Tenho muitos ritmos para explorar da nossa lusofonia, então é uma página sem definição para final.”