“Amor à primeira escuta” é assim que Telma Marlise Escórcio da Silva aka Tvon, define o seu primeiro contacto com o RAP. Amor à primeira fala, é como definimos esta Mulher, que é absolutamente “mais que música”.
Com tanto amor à primeira, é mesmo um convite para que ouças o podcast, JaneCast com Telma Tvon.

Rapper, escritora, (lê o artigo sobre o seu livro Um preto muito português) licenciada em Estudos Africanos, mestre em Sociologia, e doutorada em Prática Comunitária nos terrenos dos subúrbios. O diploma deste “doutoramento” tem sido transmitido pela faculdade da vida; como a própria solicita num cypher: “Chama-me RAP comunitário”

Dona de uma energia e sorriso contagiantes, dona de uma voz activista e um olhar clínico social, é uma rainha! Uma rainha escolhida por um rei, Common Sense. O rapper americano, escritor, activista… Semelhanças? Muitas.

No festival Iminente, decorrido no dia 20 de setembro, em Monsanto, Portugal, no primeiro concerto do rapper em terras lusas, aconteceu um momento muito marcante para a Telma, e para todas as amigas e mulheres negras que o presenciaram.

Telma Tvon
Telma Tvon |Foto: Janeth Tavares

Entre uma plateia frenética, vestida com uma t-shirt que trazia estampada “LYRICS MATTER” (letras importam) e com total identificação com o propósito do trabalho de Common, a Telma foi escolhida pelo mesmo, para subir ao palco. Foi uma escolha muito feliz, muito acertada.

Em palco, quando questionada por Common, sobre de onde vinha, se era de Lisboa, Telma respondeu ser de Angola. Uma resposta verdadeira e genuína mas que causou muito delírio e mereceu vários aplausos. A juventude negra presente no concerto sentiu-se representada, e a própria Telma só percebeu a dimensão do acontecido, muito depois.

Sentimos que através da Telma, houve um abraço colecivo ao Common e às causas que defende. Foi de facto um dos momentos mais altos e comoventes do espectáculo.

Noiva da Palavra. Sou da moda antiga, escrevo-lhe cartas de amor com a luz: fotográfo; para dar valor e fazer valer cada frame da minha vida. Da Medicina Chinesa fui para Jornalismo, tudo a ver. A ver com a mescla que me assiste ou não fosse eu uma criola. Faço muitas coisas, que estrapulam este limite de palavras, mas isso pouco interessa, se não para me indagar no meu propósito. Acredito que valemos mais pelo que somos do que pelo que fazemos. E sim falo de nós. Amo nós de nós. E falando de nós, falo de mim.