Kevin Pereira Miranda Lima é um artista guineense de 26 anos que pinta a sua realidade, o seu quotidiano e as suas gentes. Retrata de forma hiper realista – género de pintura nascido nos EUA e Europa em meados de 1968, que tem um efeito semelhante ao da fotografia de alta resolução – o que vê.

Recentemente a sua pintura “Amor de Pai” foi premiada com a medalha de ouro na 25ª edição de Artcom Expo International, uma exposição de arte que decorreu no Carrousel Du Louvre, em Paris. O evento juntou este ano cerca de 165 expositores de 21 países, desde arte moderna, contemporânea às tendências emergentes.

O prémio que recebeu em Paris foi o culminar do seu trabalho de anos, mas que aconteceu devido à controvérsia que se criou à volta da sua obra “Amor de Pai”.

Kevin Lima
Medalha de Ouro – “Amor de Pai” / Foto: Kevin Lima/BANTUMEN

“A minha obra estava a causar uma polémica desde o primeiro dia de exibição no “Carrousel du Louvre”. Muitos artistas críticos disseram que era uma fotografia e não uma pintura, disseram ainda que foi um trabalho digital e imprimido, facto que me deixou maldisposto. Por fim, após uma avaliação mais detalhada os críticos da arte concluíram que era uma pintura a óleo de um realismo fora do comum, um realismo que muitos confundem até com uma foto, só chegando perto com um olhar mais apurado dá para perceber que era uma pintura. Aí, deram-me o prémio da melhor obra “Best of Salon”, confessou Kevin à BANTUMEN.

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A terra que o viu nascer, Guiné-Bissau, é onde se inspira mais para as suas criações. Pinta de forma detalhada a sua comunidade, o dia-a-dia do povo guineense e africano no geral. Tem um olhar mais atento sobre as crianças e as suas tarefas como por exemplo uma simples ida ao mercado e o trabalho nos campos. O traço da mulher africana, como o trabalho que fazem dentro e fora de casa, são também as realidades que Kevin gosta de retratar numa tela.

Sem qualquer tipo de formação, as suas mãos deixam-se levar pela curiosidade e interesse pela arte e o que pode criar através da pintura. “Fui apenas instruído por mais velhos. A pintura é mais a base da curiosidade e interesse que surgiu na minha vida na infância, como todas as crianças, através dos desenhos na escola, só que eu continuei e dediquei-me mais”, acrescentou.

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Começou a pintar de forma profissional em 2014. Em 2016 expôs pela primeira vez as suas obras, que teve lugar no Centro Cultural Português, onde acabou por vender todas as suas pinturas. O que serviu de rampa de lançamento para a sua tão tenra carreira. Em 2018, foi finalista de inúmeros prémios de arte no seu país e premiado como Melhor Artista Plástico Guineense.

As suas obras demoram entre semanas a meses para serem concluídas. É um processo gradual, no qual tenta sempre criar peças únicas. A realidade que pinta faz com que explore camada a camada a sua pintura, onde quer proporcionar ao espetador uma experiência mais aproximada possível da realidade.

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Johannes Vermeer e Rembrandt Harmenszoon van Rijn são as grandes inspirações de Kevin. As obras do pintor guineense remetem diretamente ao século XVII. O realismo que pinta, as cores que usa, os detalhes que procura sempre melhorar e a iluminação nas suas pinturas assemelham-se aos trabalhos das suas inspirações, mas este fá-lo de maneira individual e moderna.

Já expôs em vários países de forma individual e colectiva além da Guiné-Bissau, como Portugal, Luxemburgo, Alemanha, Cabo Verde, Inglatera, França e Estados Unidos da América. Atualmente, Kevin Lima reside e trabalha no seu ateliê no Algarve, onde se pode ver os seus trabalhos. As suas obras também podem ser apreciadas na sua página de Facebook .