Oito organizações juvenis da Guiné-Bissau condenaram o Presidente guineense, José Mário Vaz, pela demissão do Governo e a nomeação de um novo primeiro-ministro e pediram respeito pela Constituição.

Num comunicado, divulgado à imprensa na quarta-feira e ao qual a Lusa teve acesso, as organizações juvenis condenam a atitude do Presidente e exigem a “rápida revogação dos dois últimos decretos presidenciais”.

Os jovens guineenses apelam também ao Presidente para “conformar os seus atos à Constituição da República” e à resolução da cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) em “nome da paz e estabilidade”.

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Aquelas organizações salientam que acompanham as posições da comunidade internacional e encorajam a CEDEAO a “acionar, sempre que necessário, os mecanismos reservados pelo direito internacional, para manter a ordem, impor o respeito pelas leis e pelos princípios democráticos”.

No comunicado, os jovens guineenses felicitam as forças de defesa e segurança pela “postura republicana que têm demonstrado” e apelam para se “manterem equidistantes das lutas político-partidárias”.

Os jovens pedem também que as eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro, sejam “pacíficas, inclusivas, livres, justas e transparentes” e apelam aos jovens para não terem comportamentos que “possam perigar a paz social”.

Aos políticos guineenses, os jovens pedem o respeito pela Constituição e pelas leis e a “absterem-se de situações que provoquem ou incentivem a violência”.

O comunicado foi elaborado pelo Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Rede Nacional das Associações Juvenis (RENAJ), Fórum Nacional da Juventude e População (FNJP), Rede das Associações Juvenis (RAJ), Projecto Universidade Aberta (PUA), Rede Nacional das Jovens Mulheres Líderes (RENAJELF), Confederação Nacional das Associações Juvenis da (CONAEGUIB)e o Fórum Nacional de Inserção para Formação Extra-Escolar e Profissional (FONAIFEP).

O Presidente guineense, José Mário Vaz, demitiu na segunda-feira o Governo liderado por Aristides Gomes e nomeou Faustino Imbali como primeiro-ministro da Guiné-Bissau.

O Governo de Aristides Gomes não acatou a decisão do Presidente, que é candidato às presidenciais de 24 de novembro, e continua em funções.

A União Africana, a União Europeia, a CEDEAO, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e as Nações Unidas já condenaram a decisão do Presidente José Mário Vaz e disseram que apenas reconhecem o Governo saído das eleições legislativas de 10 de março.