Rafa G, o rapper que compara o seu bairro, Vale da Amoreira (concelho da Moita, Margem Sul, Portugal), com Chicago nos Estados Unidos é o convidado do próximo JaneCast.

A profundidade desta comparação percebe-se em toda a conversa. Falámos com um jovem que representa tantos outros afrodescendentes que “diariamente lutam nos subúrbios pelo mais básico”.

“Já me proibiram de cantar nas festas do Vale da Amoreira, diziam que o nosso rap é agressivo”, refere Rafa G. Lá por que se relata uma realidade, que pode ser agressiva, não faz de ti alguém agressivo. Foi uma das conclusões a que chegámos nesta conversa de alma na fala.

Rafa G afirma que não engana os seus ouvintes. É um contador de histórias do seu bairro, que se estendem a tantos outros, seja em Portugal, Espanha ou Irlanda, onde viveu.

Todos sabemos que os guetos ou bairros sociais sofrem estigmas,
Mas Rafa G com a sua música, com os seus versos e melodias cheias de alma, quer reverter esses estigmas, dar um sentido motivacional, colocar a sua zona no mapa, levar o seu rap a um outro patamar.

Escuta o podcast, capta o sentido de família, tão presente no discurso de Rafa G. Tixa, o seu primo, falecido, e toda a dor da sua família, foi a grande motivação para se afirmar enquanto rapper criolo, afirmando assim as suas raízes cabo-verdianas e a vontade de vencer e assim contribuir para o bem estar da sua da família.

Noiva da Palavra. Sou da moda antiga, escrevo-lhe cartas de amor com a luz: fotográfo; para dar valor e fazer valer cada frame da minha vida. Da Medicina Chinesa fui para Jornalismo, tudo a ver. A ver com a mescla que me assiste ou não fosse eu uma criola. Faço muitas coisas, que estrapulam este limite de palavras, mas isso pouco interessa, se não para me indagar no meu propósito. Acredito que valemos mais pelo que somos do que pelo que fazemos. E sim falo de nós. Amo nós de nós. E falando de nós, falo de mim.