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Maria Borges é o mais alto porta-estandarte da bandeira de Angola no mundo. Cara das mais prestigiadas casas de moda internacionais, modelo da Victoria’s Secret e um contrato milionário com a gigante da cosmética francesa L’Oréal (que já lhe auferiu um total de cerca 3,5 milhões de dólares), são apenas alguns dos feitos de uma carreira imaculada no mundo da moda.

Em entrevista ao jornalista Hamilton Viage da Forbes Angola, a modelo explicou como quer dinamizar o turismo em Angola. “É altura de unir forças e trabalhar com o Ministério do Turismo e os demais órgãos para mostrar as potencialidades turísticas do nosso país”, referiu após um encontro com a ministra do Turismo angolana, Ângela Bragança.

A sua recente presença em Angola, além da visita a familiares e amigos, foi também motivada pelo desenvolivmento das obras do seu novo empreendimento, uma galeria comercial no bairro do Camama, na zona sul Luanda. O espaço deverá ser inaugurado ainda esta ano, de acordo com a revista.

Quando, em 2017, Maria assinou um contrato de 1,5 milhões de dólares com a L’Oréal, a Forbes listou a jovem, de 24 anos na altura, como a modelo mais valiosa de sempre do continente e uma das personalidades mais influentes da moda, em 2018.

Estava assim dado o incentivo para arrancar com a sua faceta de empreendedora. Maria fundou a sua própria agência de modelos, The Star Management, resposável pela gestão da sua própria carreira, bem como o recrutamento de novos modelos angolanos para serem projetados nas maiores passarelas internacionais. O primeiro feito da empresa foi levar Aninha Malukisa a desfilar na semana da moda em Paris, além de se ter tornado a segunda angolana a colaborar com a L’Oréal.

“Sempre tive um espírito empreendedor, como se diz em inglês, uma mente milionária”, explica. “Graças ao meu posicionamento e estatuto como supermodelo, tenho tido a oportunidade de trabalhar com as melhores empresas, detentoras de poderosas marcas do mundo”, continuou.

“Sou uma modelo bem lucrativa e tenho de saber onde investir o meu dinheiro

Na grande entrevista concedida à Forbes, Maria relembra como tudo começou neste seu conto de fadas em que tudo é resultado do seu sacrifício e perseverança.

Aos 17 anos, mesmo não tendo vencido, foi destaque no primeiro concurso Elite Model Look Angola. Karina Barbosa contratou-a na sua agência, Step Models, e levou-a para Portugal para frequentar um curso para trabalhar as técnicas de desfile. Chegou ao Lisboa Fashion Week, foi capa da Vogue portuguesa e logo começou a ouvir que teria de ir para Nova Iorque, Paris ou Milão, capitais da moda que fariam jus à sua grandiosidade.

Em 2012, sem falar inglês e com o bolso cheio apenas de esperança, Maria rumou para Nova Iorque. Conseguiu fazer 17 deslifes em uma semana. Pagaram-lhe 13 mil dólares. A sua meta estava estabelecida: ser uma modelo reconhecida em cinco anos.

Pouco tempo depois foi contactada pela Victoria’s Secret para desfilar naquele que é um dos mais famosos e prestigiados eventos do mundo da moda. Ora, a modelo sabia que não poderia recusar de forma algum aquele convite que poderia ser a catapulta da sua carreira. Na altura, encontrava-se a trabalhar para a Givenchy, que não podia abandonar, em Nova Iorque, na Costa Leste dos EUA, e o evento ia acontecer no dia seguinte em Los Angeles, na costa Oeste. Seis horas de avião era a distância que separava Maria de se tornar no que é hoje, uma super-modelo reconhecida no mundo inteiro. A sua agência apenas poderia pagar um bilhete de avião comercial às 23h, o que a levaria a chegar ao evento da marca de lingerie em cima da hora. A modelo arriscou a pedir um empréstimo para fretar um avião privado. Apesar do receio, a empresa aceitou emprestar 45 mil dólares, mas com uma condição: teriam de ser devolvidos em um mês.

Depois do evento, o telefone de Maria não parou de tocar, foi requisitada pelas mais famosas marcas e revistas da indústria. Em uma semana conseguiu devolver o dinheiro emprestado.

No início, a modelo fazia desfiles por 10 mil dólares, hoje pagam-lhe cerca de 30 mil. Mas Borges sabe que a vida de modelo, cedo ou tarde, terá um fim e é para isso que se está a preparar. “O ano de 2018 serviu para me preparar financeiramente para apostar no mundo do empreendedorismo. Sou uma modelo bem lucrativa e tenho de saber onde investir o meu dinheiro. Há dois anos, que só faço desfiles quando vale a pena”.

Tem optado mais pelos projetos de responsabilidade social, como os desfiles no tapete vermelho do Festival de Cannes, França, num projeto de arrecadação de fundos desenvolvido pela pioneira Naomi Campbell.

Em Angola, o foco é continuar a investir, além da galeria comercial, gerida pela irmã mais velha. “Este ano vou continuar a apostar nos meus negócios. Estou a terminar uma padaria em Luanda, que vai ser inaugurada em breve e, depois, vou terminar a minha farmácia.”