O secretário de Estado cabo-verdiano para a Educação, Amadeu Cruz, disse que o primeiro Dicionário de Língua Gestual Cabo-verdiana representa um marco histórico para o país, por trazer “benefícios inegáveis” para a sociedade.

Amadeu Cruz fez estas afirmações aos jornalistas, à margem da apresentação e entrega oficial do Dicionário de Língua Gestual Cabo-verdiana, no âmbito do projecto Escola de Todos-Fase II, que contou com o apoio do Brasil.

O acto de entrega contou com a presença de uma missão brasileira composta por representantes da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

“O dicionário vai permitir que o nosso sistema educativo consiga trabalhar para a inclusão dos jovens, das crianças e dos adolescentes com alguma deficiência auditiva, mas estamos a trabalhar para garantir uma melhor inclusão de todos os portadores de deficiência no sistema educativo”, garantiu.

Conforme enalteceu, o dicionário é “um marco” porque, segundo ele, vai permitir “mais inclusão” daqueles que têm a deficiência auditiva no seio das suas famílias, nas escolas e na sociedade.

“Temos que valorizar a interacção no seio das famílias, que muitas vezes é muito difícil, promovendo a partilha e um ambiente de concórdia”, reforçou o governante.

Indicou, por outro lado, que o dicionário tem impacto na vizinhança e na comunidade mais próxima, uma vez que, no seu entender, há dificuldades de comunicação entre os surdos e a comunidade à sua volta.

“Há essa possibilidade de, no seio das comunidades e bairros, criarem grupos de aprendizagem sobre a comunicação gestual e facilitar a interacção”, demonstrou.

Para o governante este trabalho facilita, “e muito”, a integração das pessoas com deficiência auditiva no mercado de trabalho.

Quanto à distribuição do dicionário, Amadeu Cruz explicou que vai ser feita através da Direcção Nacional da Educação, mas que estão a estudar o melhor modelo para fazer o trabalho chegar aos beneficiários.

Sobre a inclusão social no sistema de ensino, Amadeu Cruz afiançou que o Governo tem em curso medidas de respostas, nomeadamente salas de recursos, que, de acordo com o mesmo, vão dando “algumas respostas em função das necessidades”.

“É este esforço que o Governo tem que fazer para possibilitar uma real integração daqueles mais desfavorecidos, que não foram dotados com competências, para termos uma integração justa porque aí é que está uma verdadeira equidade social de promoção da coesão social”, precisou.