Jefferson Seneadza é um jovem ganês de 31 anos, co-fundador do Aftown – uma contração de “African” e “Town” – uma plataforma de streaming de música, semelhante ao Spotify ou Apple Music.

Em novembro de 2016, o empresário ganense de 31 anos co-fundou o Aftown – uma contração de “African” e “Town” – uma plataforma de streaming de música, semelhante ao Spotify ou Apple Music.

Mas a comparação com os gigantes do setor pára por aí. “Queremos promover a música local e assinamos apenas com artistas africanos”, diz Jefferson Seneadza. Mas há uma exceção a essa regra: “Também temos Bob Marley nonosso repertório, porque ele era muito requisitado.”

Jefferson Seneadza teve a ideia de criar o aplicativo após a morte, em 2016, de um artista local, Daasebre Gyamenah, “morto porque não tinha dinheiro suficiente para pagar por uma operação”, explicou empreendedor ao Le Monde Afrique.

Fiquei com nojo de ver que um músico não podia viver da sua própria música com royalties“, admite o nativo de Accra, que estudou na Austrália. Se os pesos pesados da indústria musical é que recebem grande parte dos direitos de transmissão, o Aftown dá a maioria ao artista. “No ano passado, os artistas que assinaram connosco repartiram entre si cerca de 200 mil cedis [cerca de 33 mil euros], ou 70% do nosso faturamento”, diz Jefferson.

“É possível ganhar uma vida decente com o Aftown”

A aplicação transformou-se assim numa forma de apresentar ao público novos artistas, como Yung Pabi, um artista ganês de hip-hop e hiplife – um género musical popular no país – que recentemente assinou contrato com a Aftown. “O aplicativo permite construir uma rede de fãs, mesmo quando ainda somos iniciantes”, diz o cantor, dizendo que “é possível ganhar uma vida decente” com o aplicativo. Cada audição permite que os artistas recebam 0,066 pesewas, um pouco mais de um cêntimo de euro.

Após três anos de existência, a Aftown reivindica 55 mil assinantes, incluindo 20 mil subscritores pagantes. “A maioria dos utilizadores é do Gana e da Nigéria, mas também temos na diáspora nos Estados Unidos e na Inglaterra”, diz o jovem empreendedor. “Estamos atualmente no ponto de equilíbrio. Nós não ganhamos dinheiro, mas também não perdemos dinheiro “, diz ele. A empresa, que possui dezoito funcionários, experimentou em 2018 um crescimento de 50% do seu faturamento.

Para criar a fidelidade do cliente, a Aftown lançou em fevereiro uma parceria com a MTN sul-africana, a maior operadora de telecomunicações da África, para permitir o pagamento via telemóvel. Uma aliança que trouxe muitos clientes, diz o empresário, considerando que “para se registrar na Apple Music em particular, seja necessário um cartão de crédito que somente as classes mais ricas têm no Gana”, disse Jefferson Seneadza. Via pagamento móvel, são necessários cerca de 20 pesewas (3 cêntimos de euro) para uma assinatura diária e 2,5 cedis (40 cêntimos) por um mês.