Armando Scott esteve a expor, pela primeira vez, o seu “Atelier Du Scott”, no Luanda Bar Show, na capital angolana.

A exposição reuniu vários dos seus quadros que estão disponíveis no seu novo atelier, que vai abrir em breve em Luanda. Uma das obras que chamou a atenção do público trata-se de uma pintura surrealista que, segundo Armando, é um movimento artístico que dá uma antevisão de uma possível concretização de sonhos”.

A obra apresenta três figuras humanas, afro-descendentes, nuas e em protesto, que visa reflectir a não valorização que a África não dá aos próprios artistas africanos.

A rodear as três personagens do quadro, encontramos bandeiras dos países da União Europeia, que simbolizam o leque de escolhas de um destino onde a concretização dos seus sonhos será possível.

Apesar de já ter sido distinguido com alguns prémios em Angola, como o Prémio Promoção Internacional, na gala Angola 35 Graus, deste ano, Armando Scott considera que os artistas ainda não reconhecidos como deveriam. Contudo, também “não sou a favor da migração migração em busca da valorização”.

“Nós não estamos atrasados, aliás, eu acho que África é um dos continentes mais avançados. E é por essa razão que artistas saem da América, Ásia e da Europa para virem ‘beber’ em África. Mas falando da minha área, artes plásticas, não sou a favor da migração” apesar de ter vivido cerca de oito anos em Portugal.” Afinal, se é preciso criar mecanismos que permitam desenvolver a área, é necessário que esse crescimento comece de dentro e, para isso, são precisos artistas nacionais.

Essa afirmação tem como exemplo o facto de esta sua obra já ter sido quase exposta na Bienal da Paz, na Fortaleza de São Miguel, na Baía de Luanda. “Quase” porque o quadro foi retirado por, alegadamente, estar a “expor pornografia.” “Um quadro que eu preparei para falar da não valorização, foi censurado”, disse-nos o artista.

A causa está, de acordo com Armando, no facto de Angola ter, em várias áreas, responsáveis cuja formação em nada tem a ver com o posto que ocupam ou, por vezes, nem terem formação para tal.

Sobre os seus planos ainda para este ano, sem avançar detalhes, Armando disse que vai ter uma exposição em Dezembro, que irá reunir um grupo de artistas. E há ainda o seu atelier que vai finalmente abrir portas.

Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".