Rahiz, “o músico 360º”, que antes se dava a conhecer como Celso OPP, é o convidado deste JaneCast, onde oferece-nos uma conversa com muito “sumo”.

Como o próprio refere “é fácil conversar, ter conteúdo na sua conversa é diferente”.  Rahiz, que esteve nomeado na VI edição do Cabo Verde Music Awards, na categoria Melhor Hiphop/ RnB em 2016; venceu o prémio de Melhor Artista de Hip-Hop Africano, nos African Entertainment, nos Estados Unidos (AEA USA) e em 2017 participou de um single com o produtor franco-suíço Yves Larock. Desde então, tem trabalhado na sua própria label e em projetos artísticos e culturais que vão além da música.

É CEO da produtora musical Black on Black Music e da produtora de multimédia Black on Black One, sendo esta última a que produziu, por exemplo, a curta-metragem Deepression – protogonizada pelo ator angolano Sílvio Nascimento – como uma extensão do seu álbum, intitulado com o mesmo nome, este ano. 

De uma influência músical eclética, dentro das sonoridades urbanas, como Reggae, Afro Beat, Hip Hop, o artista conta com vários álbuns gravados. Neste ano de 2019, Rahiz lançou dois álbuns, Deepression e Karbon Tape, que estiveram no iTunes top 200 All Genres e Hip Hop/Rap em países como República Checa, França, Moçambique, Inglaterra e Portugal. Chegando a estar na liderança dos tops em Portugal, Moçambique e Républica Checa. 

O artista, filho de pais caboverdeanos, nascido e criado em Portugal, sobrinho neto do músico e compositor Luís Morais, a residir fora de Portugal, aponta o começo da sua carreira para o ano de 1994. É um veterano no panorama músical português e nesta conversa conta-nos sobre as dificuldades que atravessou para chegar ao que é hoje e o porquê da transicão de Celso OPP para Rahiz (2014).

Rahiz
Rahiz |Foto: Janeth Tavares

Numa conversa de alma na fala, fala na alma, identidade, escravatura, racismo, economia, espiritualidade, dissonância cógnitiva, depressão, ansiedade, sentido criativo, sensibilidade, carreiras, energias, mentalidade, responsabilidade, profundidade, entretenimento versus cultura… São algumas palavras-ingredientes incluídos nesse “sumo”. 

É de facto sobre mais que música que flui este podcast.  Celso Jesus Morais, assume que está aqui para “obsersar e não absorver”. O criativo, que também é conhecido por ser um crítico social, sem receio admite o seu posicionamento, frente a uma estrutura que considera estar morna e que vive de algum cinismo, estando a precisar de “alguma agitação”. Fala de um tecto, uma barreira, seja no panorama musical, como na sociedade portuguesa, que não se ultrapassa com talento, mas que está estritamente relacionado com mentalidade. 

Confrontado sobre a sua postura crítica, que muitas vezes é tida como sendo de uma pessoa arrogante, Celso esclarece que quem o conhece de perto sabe que só tem amor para dar, mas que há assuntos que precisam ser falados para que haja reflexão. Refere que está aqui numa óptica de longo prazo e que o tempo será o maior juiz. 

Noiva da Palavra. Sou da moda antiga, escrevo-lhe cartas de amor com a luz: fotográfo; para dar valor e fazer valer cada frame da minha vida. Da Medicina Chinesa fui para Jornalismo, tudo a ver. A ver com a mescla que me assiste ou não fosse eu uma criola. Faço muitas coisas, que estrapulam este limite de palavras, mas isso pouco interessa, se não para me indagar no meu propósito. Acredito que valemos mais pelo que somos do que pelo que fazemos. E sim falo de nós. Amo nós de nós. E falando de nós, falo de mim.