O professor universitário e jornalista angolano Domingos da Cruz lamentou hoje a morte do ativista e ‘rapper’ Dionísio Gonçalves “Carbono” Casimiro, que morreu na segunda-feira, vítima de doença.

“O Dionísio é uma pessoa bastante energética e aberta. Bastante transparente, no sentido da confrontação – não só contra aqueles que manipulam e colocam o país na situação dramática em que nos encontramos, mas mesmo com os seus companheiros”, disse Domingos da Cruz à Lusa, numa conversa telefónica a partir de Braga.

O professor universitário e também activista lembrou que Carbono Casimiro, nome por que era conhecido popularmente, “era uma pessoa bastante transparente, muito aberta”, e que “participava no confronto de ideias”.

A morte de Carbono Casimiro foi confirmada na segunda-feira, pelo seu irmão, Joel Júnior, na rede social Facebook.

“Venho em meu nome e da minha família comunicar o passamento físico do meu irmão Dionísio Carbono Casimiro. Agradeço a todas as pessoas que connosco lutaram e fizeram o possível e o impossível, mas prevaleceu a vontade de Deus em o ter por perto mais cedo”, escreveu Joel Júnior.

E acrescentou: “Peço que lá de cima olhe por nós e nos dê luz para continuar porque decerto sem ele será quase impossível”.

A morte de Carbono Casimiro ocorreu depois de ter sido hospitalizado na Clínica Girassol, em Luanda.

Durante domingo e no início de segunda-feira, o também activista angolano Luaty Beirão lançou vários apelos aos seus seguidores nas plataformas sociais Twitter e Facebook, onde pediu que doassem sangue na clínica em que Carbono Casimiro estava internado.

Luaty Beirão e Carbono Casimiro eram dois dos integrantes do movimento “revus”, que se opôs ao poder do ex-Presidente José Eduardo dos Santos nos seus últimos anos à frente de Angola.

“Existem pessoas que nos são sempre exemplares – pela forma como se posicionam, pela sua forma de ser e de estar no mundo – e nós encontramo-nos numa fase, enquanto nação, que precisa de exemplos, e esses exemplos devem sobretudo estar centrados na nova geração”, vincou Domingos da Cruz.

De acordo com este jornalista e activista, há, em Angola, uma ideia generalizada de que na geração mais nova são “todos loucos” e que se deixaram “manipular pela geração da independência”.

Domingos da Cruz argumentou que há “um grupo pequenino que caminha de forma diferente, na base de valores” e que Carbono se encaixava nesse grupo.

“Perde-se um exemplo para o país”, destacou Domingos da Cruz.

Carbono Casimiro, Domingos da Cruz e Luaty Beirão estavam entre os vários jovens detidos em Junho de 2015 pelas autoridades angolanas.

O rapper não foi indiciado, mas os condenados chegaram a cumprir, entre prisão preventiva e efectiva, quase um ano de cadeia, até serem libertados no final de Junho de 2016, e amnistiados três meses depois.

“Um dos problemas que nós temos, entre os milhões que temos em Angola, é o facto de maior parte dos angolanos falarem muito e fazerem pouco”, disse Domingos Cruz, lamentando que o país tenha agora perdido “alguém que age”.