“Há muitos rappers mas poucos super rappers” afirma Malabá. Ironicamente alusivo ao super guerreiro Vegeta (Dragon Ball), o rapper filho do berço do Hip Hop em Portugal: Margem Sul, está no JaneCast. Numa conversa chill, com revelações em primeira mão.

Malabá, é um rapper que representa a definição de hussle, e o tem incutido no seu apelido – Guerra – uma postura que, a título de exemplo, aplicou no desbravar de terreno ou venda dos seus CD’s mão-a-mão, quando o RAP não era comercializado como hoje em Portugal.
Até hoje, aguerrido também em palco, é “um leão de palco” que de lá apenas desce quando deixa o seu suor, carisma e energia, característicos.

Malabá rima com malabarismo lírico e realidade na palavra. Conhecido pelo seu fast flow, desde os seus 15 anos de idade, e pelo colectivo de rappers Da Gun; da aldeia de Paio Pires na Margem Sul, vem o “Twista da tuga”; relembrando o rapper americano muito conhecido também pela rapidez no canto.

Celso Marlon Guerra, em 2003 emigrou para a cidade de Nova Iorque, Estados Unidos, o que lhe permitiu ter um contacto especial com a cultura Hip Hop. Lá chegou a concorrer e a ganhar o terceiro lugar no concurso “Malcom X Poetry Contest”, realizado em Harlem.

Com vários trabalhos lançados, Malabá está a preparar o próximo álbum e conta-nos no podcast sobre as fusões sonoras que está a preparar. Algo que já tem feito, como actuando, e misturando RAP, com uma orquestra, ou no Hard Rock Lisboa, com um conceito de noites com shows de RAP com outros estilos, como foi RAP com gospel ou rock, talvez agora se siga um “TRAP sinfónico”.

De versatilidade também se faz o seu percurso. Já trabalhou com artistas como Plutónio, Né Jah, SP Deville, ou entidades como a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a Associação Portuguesa de Apoio à Vitíma (IPAV) ou o Sporting Clube de Portugal.
Desde 2012 é o rosto e host da aclamada Liga Knock Out, a batalha entre MC’s.
Colaborou no filme “Ruas Rivais” de Rui Unas, em 2014.

Malabá tem ainda um lado empreendedor, tem a sua própria produtora audiovisual, a 25horas, que afirma ser o seu alter ego. Apartir da mesma tem quebrado os limites da sua criatividade e dado oportunidade a outros jovens para trabalharem consigo.

“Há gente que consegue falsear bem, então hoje perdemos muito a noção do que é genuíno. Mas quem disse que temos de ser genuínos?” É a pergunta retórica de Malabá sobre a dualidade, conflito ou luta interior num artista rapper.

Nesta conversa de ALMA NA FALA, FALA NA FALA Malabá confessa-nos como se sente quando o seu trabalho não é valorizado; dada a alma, verdade e espontaniedade que impõe nas suas letras; e da importância de se ter uma equipa que dê o mesmo in put que o próprio, no seu projecto.
“O facto de não estares com uma major, faz com que grandes feitos pareçam pequenos e parece que só tu estás feliz pelo que fizeste, mas na verdade é o que interessa”

A visão do artista sobre a mulher no mundo da música ou a forma como vê que a sociedade portuguesa reconhece o trabalho de um artista da cultura Hip Hop, também fluem nesta conversa.

Noiva da Palavra. Sou da moda antiga, escrevo-lhe cartas de amor com a luz: fotográfo; para dar valor e fazer valer cada frame da minha vida. Da Medicina Chinesa fui para Jornalismo, tudo a ver. A ver com a mescla que me assiste ou não fosse eu uma criola. Faço muitas coisas, que estrapulam este limite de palavras, mas isso pouco interessa, se não para me indagar no meu propósito. Acredito que valemos mais pelo que somos do que pelo que fazemos. E sim falo de nós. Amo nós de nós. E falando de nós, falo de mim.