Cada dia que passa há o nascimento de um novo artista ou grupo. É o caso da OTAN, um grupo angolano que prima pela boa música feita em português, dentro do movimento hip hop.

Fundado há três anos, o conjunto é formado por cinco jovens, com idades compreendidas entre os 20 e 24 anos, residentes em Angola.

Em conversa com a BANTUMEN, o grupo explicou alguns detalhes sobre o seu surgimento, desafios e ambições para o futuro.

Os membros da OTAN ingressaram na música há cerca de nove anos, mais propriamente criado por Tony Amado e, posteriormente, Sebem, o kuduro.

Tudo começou por influência do kudurista Bruno M, porque “fazia algo de diferente da maioria e aquilo reflectiu-se em nós até hoje”.

O grupo foi ganhando alguma notoriedade em alguns pontos da cidade de Luanda depois de lançarem as músicas “Walale” e “Sentimentos e Dores”.

Os membros produziam os próprios instrumentais e cantavam. “Fizemos algum barulhinho enquanto kuduristas, mas depois parámos porque os nossos pais achavam que estávamos a esquecer a escola e nos separaram”.

Mas como diz o ditado, “bons filhos sempre voltam a casa”, o grupo OTAN reuniu-se novamente no ano de 2016.

O grupo decidiu dar continuidade aos seus trabalhos, mas, desta vez, dentro do rap, chamados pelos holofontes que iluminam o estilo urbano de há uns anos para cá.

No início, as músicas que produziam, colocadas nas plataformas digitais, eram essencialmente ouvidas por um grupo restrito de amigos. Hoje, o seu público é bastante amplo.

Em 2018 entraram para o estúdio caseiro e decidiram tirar a primeira mixtape, “The Money Voice”, mas tiveram de “abortar o projeto por causa da péssima qualidade”.

“No início nem tudo foi um mar-de-rosas. Já fomos barrados em shows, televisões, além de já termos sido burlados”, explicaram-nos.

O grupo explica que fazem música de “uma forma totalmente diferente” e, por vezes, “é complicado fazer perceber” as suas opções. “Só quem nos ouvem é que consegue discernir o nosso estilo”. Apesar das dificuldades, a sua música já chegou a Portugal, Rússia, Inglaterra e até à Rádio Atlanta, nos Estados Unidos da América.

Para 2020, o grupo pretende apresentar a música que tem o título de “Tá Amarrado”. É um afroswing que “retrata alguém que se sente perseguido espiritualmente e que clama para que os demónios o deixem em paz”.

Idealizaram a música “a pensar em todas as idades” e “queríamos uma música que até as nossas avós ouvissem e se identificassem”.

Ainda em 2019, o grupo pretende lançar o vídeo de “Me Partiram o Braço”

A música retrata uma história verídica, de um momento em que os membros estavam no “tchilo” e foram “chulados” até ao ponto de não terem dinheiro para voltar para as suas casas.

Espera-se que o grupo disponibilize em breve a primeira mixtape intitulada A.D.B.R – Aliança Dos Best Rappers e o vídeo da música com o mesmo nome nos canais televisivos dedicados e no YouTube.

Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".