Em novembro, Cabo-Verde tinha sido notificado que o género musical Morna deveria ser classificado como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO. E agora, o sonho de muitos cabo-verdianos tornou-se realidade. A Morna já é Património Imaterial da Humanidade.

A decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) foi ratificada, esta quarta-feira, em Bogotá, na Colômbia.

O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, rodeado de mais duas dezenas de músicos, compositores e instrumentistas que, no Palácio do Governo, na Praia, acompanharam através da Internet a proclamação da UNESCO, na Colômbia, mostrou a sua felicidade com o grande feito e disse que “o momento esperado e muito desejado aconteceu. A morna é, a partir de hoje, Património Imaterial da Humanidade”.

Abraão Vicente, ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, que liderou a delegação cabo-verdiana, que integrou músicos locais, como a cantora Nancy Vieira, mostrou a sua felicidade com a decisão, através da sua página na rede social Facebook.

Em entrevista, Cremilda Medina, com quem a BANTUMEN já conversou aqui, também mostrou o seu contentamento com a notícia. “Será mais uma atração para o mundo vir conhecer Cabo Verde, as nossas raízes e as nossas tradições, uma vez que a morna representa a identidade e o sentimento cabo-verdiano. Recebermos essa distinção é mais um carimbo no nosso passaporte cabo-verdiano e uma grande prenda de Natal”.

De acordo com o antropólogo Paulo Lima, um dos envolvidos no processo de candidatura, este género musical de Cabo Verde reunia todas as hipóteses para ser inscrito na lista do património imaterial.

“Existem alguns elementos que me parecem importantes como a atenção às questões de género. A Morna, através da Cesária Évora, e não só, abriu hipótese para o empoderamento da mulher caboverdiana. E isso, sublinho, foi algo muito importante. O que ela conseguiu com a sua música, nos anos 80 e 90, foi abrir uma janela de hipótese para as mulheres do seu país. Portanto, é natural que esta candidatura acabasse por ser reconhecida”.

O especialista português, que esteve envolvido nas candidaturas portuguesas ganhadoras do Fado, Cante Alentejano e Arte do Chocalho, sublinhou o facto de a UNESCO ter considerado “a morna como uma das expressões de relevo cultural que interessam a todo o Mundo”.

“Quero dar os meus parabéns a todas as equipas envolvidas neste processo, pelo sucesso obtido, e desejar que esta importante classificação possa contribuir para o aprofundamento do estudo da morna, sua maior divulgação internacional, maior aprendizagem pelos mais jovens, e o desenvolvimento de todos os requisitos que resultam deste novo estatuto, para o bem da nossa música, da nossa cultura, e desta terra sonora que é Cabo Verde”, escreveu Jorge Carlos Fonseca, presidente de Cabo-Verde.

A Morna fez parte dos quarenta e dois elementos da Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, avaliados na reunião de Bogotá, na qual Portugal também esteve representado com os Caretos de Podence.