Lisboa é um viveiro musical, ondem nascem e fluem novos artistas e novas sonoridades. DJ Adamm é fruto desse ambiente eclético.

Filho de pais angolanos, Bruno Ricardo Adam Francisco nasceu no bairro Casal de Cambra, na Linha de Sintra, e foi em casa que ganhou o gosto pela música. “Vivi mais com a minha mãe e irmã e domingo é aquele dia em que apetece ficar em casa. Então, a cota faz já aquele funge e mete semba. Em casa sempre ouvi semba”.

E se o estilo de música típico de Angola não chegasse aos seus ouvidos através da mãe, teria sido através do pai, que em tempos também foi DJ, com o semba no centro dos seus sets.

DJ ADAMM
DJ ADAMM | Foto: BANTUMEN

A sua trajetória como DJ começou a ser desenhada há três anos, depois de ter desistido do futebol devido a uma complicação de saúde. “Comecei porque não tinha nada para fazer e precisava manter-me ocupado. Já não jogava futebol”, explica-nos.

Navegando entre sonoridades eletrónicas como afro-house e techno, a primeira música publicada no SoundCloud chegou aos 7.300 streams. Um bom indício de que Adamm fez a escolha acertada quando decidiu dedicar-se mais àquilo que assumia como passatempo.

O primeiro concerto aconteceu numa das noites da Enchudada, Na Surra, e, apesar de ter sido a primeira atuação, esse foi até agora o seu set favorito. “O Branko enviou-me mensagem a perguntar se eu queria fazer um set, mas eu nem sabia tocar, tive que aprender a tocar duas semanas antes”.

Entretanto, já tocou em vários locais conhecidos da noite lisboeta, como o Lux Frágil, passou pelo Sou Quarteira e está prestes a atuar no Festival ID- NO LIMITS.

O público que o ouve é sem dúvida internacional, com França, EUA, Inglaterra e até Israel a sobressaírem no mapa. Adamm lembra um episódio caricato com um novo fã depois de um set: “Uma vez, um inglês chegou a seguir-me até à casa de banho para me pedir o Insta e conta SoundCloud”.

Um dos mais recentes reconhecimentos pelo trabalho que tem feito foi um convite para tocar, duas vezes, na rádio londrina NTS.

Na lista das suas referências, Adamm refere DJ Lil Cox, Danny Fox e Tia Maria, porém, é com Bangão, cantor de Semba, com quem gostaria de ter tido a possibilidade de trabalhar. “Ele já morreu, mas gostaria de brincar com a voz dele e metê-la nos meus beats“.

Num futuro próximo, o DJ tem vários projectos em desenvolvimento, sendo um deles o lançamento de uma música no dia 1 de Janeiro, para começar bem o ano.